Gente, eu tô aqui em Ibiza, no barco, com espumante subindo mais rápido que ação de fintech em dia de hype, e me chega a notícia mais deliciosamente dramática do fim de semana: teve reality show em Interlagos, e ninguém me chamou pra narrar ao vivo. Um escândalo. Mas relaxa, que a Kátia chegou pra destrinchar essa novela de motor a 300km/h com a mesma acidez que eu destrincho balanço trimestral de banco.
O protagonista é Guilherme Franceschini, que eu já batizei de Príncipe Consorte da AMG Cup Brasil, porque, meus amores, ele largou em sétimo (leitura tradução: começou lá no fundo do book de ofertas) e ainda assim virou o jogo. Corrida 1, ultrapassagem atrás de ultrapassagem, um recall estratégico do safety car que reembaralhou tudo, e catapum: ele assume a ponta e fecha em primeiro, deixando Tiago Detílio e Dipa Di Pietro comendo poeira no que eu chamo de disputa entre vice-misses do pódio.

Só que aí vem o plot twist que nenhum conselho de administração aprovaria: pelo regulamento, quem sobe primeiro na primeira corrida desce pra última fila na segunda. Ou seja, o cara vira CEO do trimestre de manhã e é reestruturado à tarde, isso é mais reviravolta que troca de comando na diretoria de fundo imobiliário. E na Corrida 2, quando ele já tava de novo em segundo lugar armando o assédio hostil pela liderança, recebeu um toque que deslocou o ombro e encerrou a prova. Fusão nenhuma na Faria Lima terminou tão mal quanto essa disputa de posição.
E o que é campeonato sem um conselho de sábios nos bastidores? Franceschini tem o coach Yuri Alves e o engenheiro Giuliano Alves, que eu carinhosamente decreto board consultivo do ombro e da estratégia, arquitetando cada ultrapassagem como quem monta plano de sucessão. E na entrevista pós-corrida, o piloto soltou a frase mais call de resultados que eu já ouvi: “Quando você larga em sétimo, sabe que precisa ter paciência, mas também precisa ser ousado.” Gente, isso aí é discurso de fundo que apostou contra o mercado e ainda assim fechou o trimestre no verde.

E não vamos fingir que essa vitória foi só ele e o carro, porque, meus amores, todo unicórnio de pista tem seu cap table de patrocinadores. Na treta esportiva desse fim de semana, o elenco de investidores inclui a Cobli, que eu chamo de Unicórnio Discreto da Logística, a Opus Tech agindo como aquele IPO silencioso que ninguém viu chegar, a Box Eletronics no papel de investidor-anjo dos parafusos, a C. Ibanez, a De Repente Sommelier, apelidada aqui de patrocinadora etílica oficial, porque óbvio que eu ia notar essa, a BudiiToy do Thiago Rosinhole como fundo de brinquedos com propósito e, arrematando com classe, a Mercedes-Benz Parfums, que é literalmente o cheiro do dinheiro patrocinando a prova.
No fim das contas, meus amores: essa etapa de Interlagos foi pódio, foi cirurgia de recall no grid, foi lesão no ombro e foi, acima de tudo, prova de que até em pista de corrida rola a mesma lógica da Bolsa: sobe rápido, desce mais rápido ainda, e quem aguenta o tranco fecha parceria pra próxima temporada. Aqui na coluna, isso é o que eu chamo de treta com classe. E agora, com licença, que o barco em Ibiza não vai esperar meu brinde.