Ainda esticando na academia no Leblon depois de uma hora com o personal que claramente não tem dó de ninguém, o telefone tocou. Era uma fonte de Teresina querendo saber se eu já tinha ouvido falar da noite anterior. Alok com pirâmide de trinta metros e drones desenhando a Serra da Capivara no céu não é pauta que espera alongamento.
A AUREA Tour estreou no Nordeste na Arena Carhoo, em Teresina, na noite de sábado, e o número que define a noite começa antes da música: pista gratuita com meia entrada solidária que arrecadou 40 toneladas de não perecíveis para famílias em situação de vulnerabilidade. No palco, pirâmide de trinta metros com 604 metros quadrados de painéis de LED e 376 equipamentos de luz viraram parte ativa do espetáculo. No céu, centenas de drones desenharam a cajuína, o cacto, a Pedra Furada e a Serra da Capivara enquanto Alok fazia reflexão emocionada sobre a caatinga e o sertão.



O repertório ganhou o clássico piauiense “Take Me Back to Piauí”, de Juca Chaves, lançado em 1970, e os convidados da noite incluíram Zeeba numa versão reggae de “Ocean” pedida pelos fãs, as duplas Tineway e Futureclass, DJ Eme e a cantora teresinense Tori Huang, que subiu ao palco para apresentar música própria com Alok anunciando que queria dar espaço a uma artista da cidade.
No palco, Alok foi além da música e foi direto: disse que não recebeu cachê pelo evento, que o custo real foi maior do que o divulgado e que o investimento vem do próprio bolso, como continuidade do que o Instituto Alok já faz há seis anos, com mais de quarenta milhões de reais em ações sociais. A noite encerrou com confirmação de doação de um milhão de reais do Instituto para o Piauí, destinados a saúde, turismo e ecoturismo.
Tem DJ que fecha show jogando confete e tem DJ que fecha show doando hospital. Alok claramente escolheu o segundo caminho, e Teresina não vai esquecer tão cedo.