Eu tinha acabado de descer do bondinho em Santa Teresa, indo direto para casa no Cosme Velho, morta de cansaço, quando o telefone começou a vibrar sem parar. Ligação, chamada de vídeo, áudio de três minutos, todo mundo querendo comentar a mesma coisa ao mesmo tempo. Alok tinha acabado de encerrar o Rock in Rio e o Brasil inteiro estava em choque, do jeito bom.
Foram duas noites completamente diferentes e igualmente arrasadoras. Na sexta ele levou ao Palco Mundo o espetáculo Keep Art Human, já visto em festival como o Coachella, misturando música, dança e narrativa visual sobre o que nos mantém humanos num mundo cada vez mais dominado por inteligência artificial. No Rio, a apresentação ganhou uma camada que ninguém tinha visto antes, com 1500 drones dialogando com o painel gigante de LED do palco e 45 bailarinos coreografados pelo coletivo italiano Urban Theory.
Já no sábado, virando madrugada de domingo, ele assumiu o comando do New Dance Order pela primeira vez sozinho, com um conceito artístico só guiando a programação do dia inteiro. O projeto chama Rave The World e resume tudo que ele quer para a cena eletrônica, união, respeito, liberdade e conexão de verdade entre as pessoas. O set foi tão bem construído, com tensão e catarse alternando o tempo todo, que o público não arredou pé nem depois de horas de chuva e madrugada avançada.
Teve ainda um momento que já está circulando em todo grupo de zap, quando ele parou o show para falar direto com o público jovem, cheio de fã de kpop que tinha ido para ver Stray Kids. Falou que várias pessoas perguntaram quem era ele antes do festival e que ali estava a resposta, que era para todo mundo se expressar sem ligar para quem julga. A plateia foi ao delírio.
Encerrou tudo cercado pela própria família, irmão e pais no palco, resumindo exatamente a proposta da noite. Eu que já estou chegando em casa exausta, mal entrei e já estou combinando com as amigas uma escapadinha para a Europa, porque depois de uma virada dessas o corpo pede recuperação e o coração pede resenha boa.