A Converse retirou do ar uma imagem da campanha global do Chuck 70 X após internautas apontarem semelhanças entre a composição visual e símbolos da Ku Klux Klan, além de referências a linchamentos de pessoas negras nos Estados Unidos. A marca reconheceu que errou e afirmou que trabalha para remover a peça de todos os canais.
Eu li sobre a imagem duas vezes porque, francamente, campanha de tênis não deveria exigir explicação sobre capuz branco, sapato pendurado e terror racial. Moda pode querer ser conceitual, mas conceito sem noção vira crise internacional em três cliques.
A publicidade fazia parte da campanha do Chuck 70 X, lançada globalmente no fim de agosto e estrelada por Karina, integrante do grupo de K-pop aespa. Na foto, a cantora aparece com saia branca, sob um refletor em formato de estrela, enquanto segura um par de tênis pretos.

Foi a soma do enquadramento, da luz e da sombra que causou a revolta. Para parte do público, o tecido branco formava uma silhueta que lembrava o capuz pontudo da KKK, enquanto os tênis escuros pareciam pés pendurados abaixo da figura.
Não existe evidência pública de que a Converse tenha criado a imagem com intenção de fazer referência à Ku Klux Klan ou a linchamentos. Só que intenção não apaga impacto, principalmente quando a imagem remete a uma história de violência racial tão brutal quanto a dos Estados Unidos.
A marca se desculpou em comunicado: “Entendemos por que esta imagem é profundamente perturbadora e reconhecemos que erramos. Nós a removemos dos nossos canais e estamos trabalhando para retirá-la de todos os lugares onde apareceu. Isso não deveria ter acontecido, e faremos melhor”.

Eu entendo que fotografia trabalha com sombra, recorte e interpretação. Mas alguém aprovou aquela foto, alguém publicou e ninguém na cadeia inteira perguntou se um vestido branco com calçado pendurado poderia carregar uma leitura monstruosa. Aí não é ousadia visual, é falha de olhar.
A repercussão ficou ainda pior quando internautas recuperaram uma peça separada, de uma colaboração da Converse com a marca Palmes, em que uma pessoa aparece em uma escada perto de uma árvore com tênis suspensos. A imagem alimentou a percepção de que a primeira campanha não era um deslize isolado.
A Converse é controlada pela Nike desde 2003 e agora enfrenta pressão para explicar como as peças foram aprovadas e quais mudanças serão feitas para evitar que a história se repita. Porque retirar a propaganda é o primeiro passo; responder como ela passou por tanta gente é o segundo.