Alinne Rosa registrou um boletim de ocorrência contra o folião que arremessou um copo em seu rosto durante uma apresentação no Fortal 2026, em Fortaleza. O caso aconteceu em 23 de julho, enquanto a cantora comandava seu bloco em uma micareta fora de época.
Eu já tinha terminado a massa de frutos do mar e estava encarando a crema catalana como quem negocia com a própria consciência, quando chegou o vídeo da agressão contra Alinne. A sobremesa perdeu a graça na hora. Porque uma coisa é folia, grito, trio elétrico e excesso de glitter. Outra é um homem jogar um copo no rosto de uma mulher que está trabalhando e ainda aparecer rindo depois.
As imagens que circularam nas redes sociais mostram o objeto sendo lançado de um camarote em direção ao trio elétrico. O copo atingiu Alinne na região dos olhos. A cantora usava óculos escuros, e o acessório ajudou a reduzir o impacto, evitando ferimentos mais graves.
Mesmo depois da agressão, Alinne seguiu com o show normalmente. E é justamente aí que mora uma parte cruel da história. Mulher no palco, muitas vezes, ainda precisa continuar cantando, sorrindo e entregando energia enquanto engole o susto que acabou de levar.

Em nota enviada à coluna de Lucas Pasin, do Metrópoles, a equipe da cantora explicou que a decisão de procurar a polícia tem como objetivo reforçar que atos de violência, especialmente contra mulheres, não podem ser tratados como brincadeira ou ficar impunes.
“A decisão foi tomada com o propósito de reafirmar que nenhum ato de violência, especialmente contra mulheres, deve ser tratado com normalidade ou impunidade, independentemente do contexto”, diz o comunicado.
Alinne afirmou que confia no andamento da Justiça e espera que o responsável cumpra medidas educativas e sociais. Entre as possibilidades sugeridas pela artista estão trabalhos sociais em instituições de acolhimento a mulheres e à comunidade LGBTQIAPN+.
Eu achei perfeito. Porque tem gente que só entende limite quando precisa olhar para a consequência do próprio ato. Jogar copo em artista não é irreverência, não é “calor da festa”, não é euforia de camarote. É agressão. E se o sujeito achou engraçado na hora, talvez umas boas horas de conscientização ajudem a explicar a piada que só ele riu.
Depois do episódio, Alinne já havia se pronunciado nas redes sociais e contou que estava bem. Ainda assim, fez questão de alertar para a gravidade do ocorrido.
“Eu estava trabalhando, fazendo meu show, e isso simplesmente não pode ser tratado como algo normal”, desabafou.
A cantora também foi direta ao falar sobre a escalada desse tipo de comportamento. “A gente precisa parar de normalizar esse tipo de comportamento. Hoje foi um copo, amanhã pode ser uma lata, depois uma pedra”, declarou.

Essa frase deveria estar colada na porta de todo camarote. Porque o palco não transforma artista em alvo. A pessoa pagou ingresso para assistir ao show, não para testar pontaria em quem está ali garantindo a festa.
A equipe de Alinne agradeceu as mensagens de carinho, apoio e solidariedade recebidas desde a agressão. Agora, a expectativa é que a denúncia avance e que o caso sirva de recado para quem confunde micareta com terra sem lei.
Eu, olhando para a sobremesa já derrotada, só pensei uma coisa: que bom que Alinne está bem, mas melhor ainda é ela não deixar barato. Às vezes, a resposta mais potente depois do trio é o boletim de ocorrência.