Eu estava sentada num café em Recoleta, escolhendo qual doce argentino ia estragar minha dieta, quando o celular começou a apitar com vídeo dela sendo massacrada: a performance do Hino Nacional com o cantor no Maracanã virou meme, análise técnica e tribunal da internet tudo junto. A apresentação aconteceu antes do amistoso Brasil x Panamá, no domingo, e bastou o vídeo cair nas redes para chover comentário dizendo que tinha erro, desencontro e que o negócio parecia ensaio que não chegou no segundo dia.
A sambista não deixou barato e resolveu se pronunciar com bom humor, daquele jeito que só veterana que já viu de tudo consegue. Em vídeo, ela explicou que não houve falta de preparo nem desconhecimento da letra, e que o problema foi técnico, com falha no retorno de som que fazia a voz chegar atrasada para ela. Disse que o áudio parecia dar uma volta e voltar diferente, o que explica a sensação de desencontro entre os dois no gramado, tão comentada por quem nunca cantou nem no karaokê da firma.
Ela ainda puxou o currículo no melhor estilo “respeita a minha história”, lembrando que canta o Hino Nacional desde menina, no corredor da escola, antes de entrar em sala de aula. A fala veio depois de uma enxurrada de vídeos da apresentação rodando no X, no Instagram e em página de fofoca esportiva, com internauta pausando frame por frame para apontar diferença de ritmo, respiração e interpretação entre os dois artistas. No meio do barulho, também apareceu quem defendesse a cantora, reforçando que show ao vivo em estádio é outro planeta de dificuldade técnica.
Aqui em Buenos Aires, entre um gole de café e outro, eu fui olhando os comentários e pensando como a internet ama fingir que é jurada de reality musical sem nunca ter encarado um estádio lotado. Ela aproveitou o vídeo não só para explicar, mas para agradecer o apoio de amigos e colegas de música, pedindo que o público não continue “arrasando” com ela por causa de uma apresentação. E se tem uma coisa que eu aprendi vendo artista ser triturado por meme é que, quando a própria lenda vem, admite perrengue técnico e encerra o assunto na elegância, o mínimo que o povo devia fazer era baixar um tom e parar de brincar de maestro de arquibancada.