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Kátia Flávia
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Água de Coco transforma 40 anos de moda em filme e memória brasileira

Quarenta Verões revisita quatro décadas da marca de Liana Thomaz, reúne quase 50 nomes da moda e leva para as telas a história de um negócio cearense que virou referência nacional

Kátia Flávia

25/09/2026 13h00

Liana, Renato e Celio Thoma - Divulgação

Liana, Renato e Celio Thoma – Divulgação

Eu já estava praticamente com a bolsa no braço, saindo para almoçar com as amigas naquela despedida antes de passar uma temporada em Lisboa, quando apareceu Quarenta Verões. Parei. Porque tem projeto de marca que é campanha e tem projeto que merece atenção pelo tamanho da história que resolveu contar.

A Água de Coco, criada por Liana Thomaz em 1985, decidiu celebrar seus 40 anos com um filme documentário. Depois das exibições em São Paulo e Fortaleza, a terceira première aconteceu nesta quinta feira, 24, em João Pessoa, no Cinépolis do Manaíra Shopping. O circuito ainda seguirá por outras capitais brasileiras.

Dirigido por Edu Diaz, Quarenta Verões acompanha as quatro décadas da Água de Coco em paralelo à evolução da moda praia brasileira. E aqui entra uma coisa que me interessa muito mais do que bolo de aniversário corporativo: a empresa resolveu usar os próprios 40 anos para documentar uma parte da construção do beachwear brasileiro.

São depoimentos de quase 50 nomes ligados à moda, cultura e comportamento. A lista passa por Lilian Pacce, Erika Palomino, Patricia Carta, Giovanni Frasson, Susana Barbosa, Maria Prata, Taís Araújo, Cláudia Leitte, Isabeli Fontana, Carol Trentini, Pedro Andrade, Silvia Braz, Maria Braz, Camila Coutinho e outros personagens que acompanharam diferentes momentos desse mercado.

No centro está Liana Thomaz, fundadora da marca. O documentário cruza sua trajetória empresarial com relatos de familiares, colaboradores e profissionais que participaram da construção da Água de Coco. É aí que meu radar Business apita: quatro décadas de uma empresa brasileira também contam uma história de produto, identidade, criatividade, artesanato e sobrevivência empresarial. Quarenta anos no mercado não cabem numa legenda de Instagram.

E tem uma escolha especialmente curiosa. A produção olha para técnicas artesanais brasileiras que ajudaram a formar a identidade da marca, mas a trilha sonora original foi composta integralmente com uso de inteligência artificial. Artesanato de um lado, IA do outro. Até a moda praia brasileira já entendeu que tradição e tecnologia vão ter de dividir o mesmo provador.

O filme ainda será levado a universidades, faculdades de moda, design e comunicação, escolas de negócios, feiras e encontros de empreendedorismo. Além disso, Quarenta Verões tem registro na Ancine e já está disponível integralmente no YouTube.

Agora sim eu posso ir para o meu almoço de despedida. Lisboa está me esperando, minhas amigas também, mas antes eu precisava registrar isso: quando uma marca chega aos 40 e resolve abrir o arquivo em vez de apenas estourar champanhe, eu presto atenção. Memória empresarial também é patrimônio.

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