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Kátia Flávia
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Água de Coco celebra 40 anos com filme sobre moda e poder brasileiro

Marca fundada por Liana Thomaz transforma quatro décadas de moda praia em documentário, reúne nomes como Taís Araujo, Carol Trentini e Paulo Borges e leva a própria história para a tela.

Kátia Flávia

03/09/2026 15h00

célio thomaz, liana thomaz, tais araújo e renato thomaz

Célio Thomaz, Liana Thomaz, Tais Araújo e Renato Thomaz – foto: Divulgação

Eu parei tudo quando vi “40 anos de Água de Coco”. Quarenta, meu amor. No mercado de moda brasileiro, atravessar quatro décadas com marca viva, reconhecida e ainda disposta a contar a própria história merece mais que bolo e champanhe. Merece documentário. E foi exatamente o que a Água de Coco fez com Quarenta Verões.

A estreia aconteceu na quarta feira, dia 2, em São Paulo, encerrando as comemorações das quatro décadas da marca criada por Liana Thomaz em Fortaleza, em 1985. O documentário, dirigido por Edu Diaz e idealizado por Renato Thomaz, parte da criação do biquíni, em 1946, para cruzar a evolução da peça com a trajetória da empresa cearense.

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Carol Trentini – Créditos da foto:: Lu Prezia
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Rafa Gasparini – Créditos da foto:: Lu Prezia

E aqui mora a parte que interessa à minha alma capitalista de salto alto. A Água de Coco está usando memória como ativo de marca. Quando uma empresa transforma a própria trajetória em conteúdo cultural, ela deixa de vender apenas produto e passa a disputar legado, identidade e relevância. Isso, minhas joias, é branding com certidão de nascimento.

Liana e Renato Thomaz apresentaram a sessão acompanhados por Celio Thomaz e Taís Araujo, que participou do primeiro desfile da Água de Coco e também integra o documentário. A lista de convidados ainda teve nomes conhecidos da moda e do entretenimento, como Lilian Pacce, Erika Palomino, Paulo Borges, Thássia Naves, Carol Trentini, Maria Braz, Tété Conde, Vitória Fiore, Helena Barbero, Pam Barja, Maitê, Clara Santandrea e Rafa Gasparini.

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Thassia Naves – Créditos da foto:: Lu Prezia
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Tete Conde – Créditos da foto:: Lu Prezia

O filme reúne imagens de arquivo e depoimentos de quase 50 pessoas para reconstruir tanto o nascimento da marca quanto mudanças da própria moda brasileira. E existe uma camada empresarial importante aí. A narrativa coloca Fortaleza e o Ceará dentro de uma indústria historicamente muito concentrada no eixo Rio São Paulo, apresentando a trajetória da Água de Coco como parte da internacionalização da linguagem brasileira de moda praia.

Eu adoro quando a empresa chega aos 40 sem querer fingir que nasceu ontem porque algum consultor resolveu trocar a tipografia do Instagram. A Água de Coco fez o movimento contrário: abriu o álbum de família corporativo e colocou a origem no centro da conversa. Artesanato, paisagem, cultura cearense, inovação e identidade visual aparecem como elementos dessa construção.

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Maria Braz – Créditos da foto:: Lu Prezia
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Paulo Borges – Créditos da foto:: Lu Prezia

Tem ainda uma escolha tecnológica curiosa. A trilha sonora original de Quarenta Verões foi composta integralmente com uso de inteligência artificial. Num filme dedicado à memória de uma companhia fundada em 1985, colocar IA na trilha cria um encontro bastante literal entre arquivo e tecnologia.

Com registro na Ancine, o documentário terá exibição em Fortaleza no dia 15 de setembro e depois seguirá para sessões especiais em outras capitais e espaços educacionais e culturais. O filme também já está disponível integralmente no YouTube.

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Lilian Pacce – Créditos da foto:: Lu Prezia
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Erika Palomino -Créditos da foto:: Lu Prezia

Empresa brasileira completar 40 anos é aniversário. Conseguir transformar esses 40 anos em patrimônio narrativo é estratégia. A Água de Coco entendeu que, depois de vender muito biquíni, chegou a hora de vender também uma coisa que concorrente nenhuma consegue copiar na próxima coleção: história.

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