Eu ainda nem saí do hotel. A mala está aberta no chão porque amanhã troco de casa, o adaptador de tomada sumiu pela terceira vez, e a bifana d’O Trevo que prometi a mim mesma no almoço vai ter que esperar. Minha amiga da Globo, aquela que eu não entrego nem por um pastel de nata, ligou quando no Rio o povo ainda estava no primeiro café. Sentei na beirada da cama com uma meia na mão e fiquei ali.
Adriana vai descobrir uma fraude milionária dentro da joalheria de Arthur. Uma das primeiras decisões dela como sócia é contratar um auditor para abrir as contas da empresa, e o auditor vai achar um desvio pesado de dinheiro. As suspeitas vão cair direto no colo de Ingrid.

Agora vem a parte que me fez largar a meia. O rombo começou justamente durante a gestão de Ingrid, e ela só está sentada na presidência porque Pilar armou um golpe para tirar o primo da cadeira. A mãe derrubou o sobrinho para colocar a filha no trono, e o trono veio com buraco no cofre. Eu só estou colocando as duas coisas uma do lado da outra.
A cronologia deixa tudo mais saboroso. Pilar passou meses tratando Adriana como a principal suspeita pela morte de Arthur, com prova fabricada e testemunha falsa, Diná incluída. Aí a fisioterapeuta aparece na homenagem que Ingrid organizou para Arthur e é apresentada por Nancy como a nova sócia da joalheria, na frente da família inteira. Pilar já reagiu do jeito que sabe: chamou Tom para uma missão contra Adriana.
E o incêndio não fica restrito à mãe e à filha. Durante o processo, Ulisses vai ser acusado de ter desviado os milhões, justo na pior fase dele, desde que Fábia embolsou o dinheiro da venda das ações dele na empresa da família. Pedro sofre um atentado encomendado por Pilar a Tom, com o carro sabotado caindo num rio, e só escapa porque Iuri chega a tempo. De quebra, Heitor reaparece vivo depois de ter sido dado como morto numa viagem ao Himalaia.

Walcyr Carrasco e Claudia Souto passaram a novela deixando Adriana se defender. Agora quem vai ter que explicar o livro caixa é a família que a chamou de golpista. Vou achar esse adaptador, fechar essa mala e comer minha bifana torcendo por um auditor sem medo de sobrenome.