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Kátia Flávia
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Adriana Araújo detona “candidato TikTok” e dispara que eleição brasileira virou festival de meme

Apresentadora do Jornal da Band criticou a superficialidade do debate político nas redes sociais e alertou para o risco de eleitores consumirem apenas conteúdos filtrados por algoritmos.

Kátia Flávia

10/06/2026 8h53

Adriana Araújo criticou o uso excessivo de estratégias de viralização nas campanhas eleitorais.

Adriana Araújo criticou o uso excessivo de estratégias de viralização nas campanhas eleitorais.

Eu já estava com o tênis amarrado e pronta para sair rumo à academia quando o celular vibrou com uma mensagem de uma amiga jornalista. “Assiste isso agora”, escreveu ela. Voltei para o sofá sem nem discutir. Porque quando alguém interrompe meu treino por uma entrevista de Adriana Araújo, eu sei que vem assunto sério.

E veio mesmo.

Durante conversa com Flávio Ricco, na LeoDias TV, a âncora do Jornal da Band fez uma análise dura sobre a forma como a política vem sendo consumida nas redes sociais. Segundo ela, a disputa eleitoral está cada vez mais parecida com uma batalha por viralização, onde frases de efeito, cortes rápidos e ataques aos adversários acabam ganhando mais espaço do que propostas concretas.

Para Adriana, existe hoje uma preocupação crescente com a transformação de candidatos em personagens digitais treinados para gerar engajamento. Em vez de discussões aprofundadas sobre temas como saúde, educação, segurança pública e economia, muitas campanhas acabam apostando em conteúdos simplificados, desenhados para circular rapidamente nas plataformas.

A jornalista também chamou atenção para a influência dos algoritmos no comportamento dos eleitores. Segundo ela, muitas pessoas passaram a consumir apenas conteúdos que reforçam aquilo que já pensam, reduzindo o contato com opiniões divergentes e empobrecendo o debate público.

Foi justamente essa observação que mais me fez parar para pensar.

Porque a verdade é que a gente vive mergulhado em timelines, grupos de WhatsApp, vídeos curtos e manchetes que chegam mastigadas. Tudo parece cada vez mais rápido, mais simples e mais definitivo. Só que política raramente cabe em quinze segundos de vídeo ou em uma frase pronta compartilhada sem contexto.

Durante a entrevista, Adriana Araújo também alertou para o risco de transformar eleições em entretenimento puro. Não porque humor, memes ou redes sociais sejam um problema em si, mas porque existe uma diferença enorme entre usar essas ferramentas para se informar e deixar que elas substituam completamente a informação.

A apresentadora defendeu que os eleitores busquem fontes diferentes, comparem informações e tentem escapar das próprias bolhas digitais. Segundo ela, compreender o cenário político exige mais do que acompanhar o conteúdo que aparece automaticamente no feed.

Ao comentar o cenário eleitoral, Adriana destacou que ainda há muito espaço para mudanças nos próximos meses e lembrou uma máxima bastante conhecida por quem acompanha política de perto: em ano eleitoral, poucas semanas podem mudar completamente o rumo da disputa.

Eu desliguei o vídeo, peguei a bolsa de novo e fiquei pensando que ela tem razão em uma coisa. O Brasil adora transformar tudo em torcida organizada. Reality show vira guerra. Futebol vira guerra. E eleição, muitas vezes, também.

Mas democracia não é enquete de rede social.

E talvez o maior desafio dos próximos meses seja justamente conseguir ouvir mais do que aquilo que o algoritmo decidiu mostrar.

Para Adriana Araújo, eleitores precisam ir além dos memes e buscar informação de forma mais ampla.

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