Gente, senta que eu vou contar. Na quarta-feira, no auditório da ADPESP, rolou aquela cerimônia que no mercado a gente chama de transição de comando e que na vida real é puro capítulo de novela das nove. O Delegado Orlando Miranda assumiu a presidência da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo depois que o então presidente, André Santos Pereira, fez a tal da desincompatibilização, que é o nome chique pra quando o figurão larga o crachá pra poder concorrer a cargo eletivo. Tradução da sua colunista: trocou a holding dos delegados pela campanha de deputado estadual.
E o Orlando Miranda, meu amor, não chegou ali de paraquedas. Foram décadas de bastidor, de reunião, de cafezinho político, até a cadeira cair no colo dele com direito a discurso emocionado e plateia lotada de família, amigo e colega de farda. Ele agradeceu, disse que tem gente brilhante que também poderia sentar ali e que vai fazer o possível pra deixar a ADPESP ainda melhor. Eu, que entendo de coroação, traduzo: o herdeiro esperou na fila com elegância e finalmente subiu ao trono.
Agora, o plot twist é o André Santos Pereira. Esse não saiu pra se aposentar e cuidar das orquídeas, não. Ele largou a presidência justamente pra mirar um palco maior, a Assembleia Legislativa de São Paulo, naquele clássico movimento de quem terminou uma temporada de sucesso e já assinou contrato pro spin-off. Na despedida, mandou o discurso de dever cumprido, cumprimentou o novo presidente, saudou a dona Noemia, esposa do Orlando, e fez questão de lembrar das reuniões com os tais Guerreiros, que é como chamam a ala mais aguerrida da entidade. Saiu pela porta da frente, com a trilha tocando e a certeza de que a casa fica em boas mãos.

Teve padrinho na história, porque toda consagração precisa de um. O Abrahão Kfouri, que já foi presidente da ADPESP e delegado-geral de Polícia, subiu pra abençoar a sucessão e soltou a frase de arrepiar, dizendo que a trajetória do Orlando Miranda não poderia se encerrar sem essa presidência. Foi o equivalente corporativo a um discurso de premiação, lágrima no canto do olho inclusa. Compuseram a mesa de honra o tesoureiro-geral Edemur Luchiari, a secretária-geral Cristiane Jerônimo e o secretário dos Guerreiros, José Gregório Barreto, num arranjo de poder digno de conselho de administração.
E pra fechar o capítulo, a plateia. Teve até ex-presidente na torcida, o Gustavo Mesquita marcou presença, e dezenas de delegados foram testemunhar a passagem de bastão ao vivo. O que ficou claro pra mim, observando tudo da minha poltrona de colunista, é que a ADPESP estreou uma temporada inédita, com Orlando Miranda inaugurando o reinado e André Santos Pereira correndo atrás de mandato. Fica a pergunta que vale o próximo capítulo: o André conquista a vaga lá em São Paulo ou volta procurando a cadeira que já não é mais dele?