Cadê o zelo, dona Globo? A emissora conseguiu anunciar, em plena Copa do Mundo, a transmissão de uma partida que simplesmente não existe. Durante o intervalo de Coração Acelerado na noite de quinta-feira (18), foi ao ar uma chamada para Tunísia x Paraguai, jogo que teria bola rolando na madrugada de sábado (20). Só tinha um detalhe: o confronto correto era Turquia x Paraguai.
Eu já tinha deixado a mala pronta no quarto e estava descendo para buscar uns ajustes de última hora na costureira antes de pegar a estrada para o interior de São Paulo, quando vi a chamada fantasma da Globo circulando. Parei no hall, com a chave na mão. Porque, meu amor, Brasil e Tunísia foi para dar adeus ao padrão Globo de qualidade. A emissora que ensinou o país a confiar em vinheta agora inventa jogo de Copa no intervalo da novela. Isso não é erro, é criação de universo paralelo.

A propaganda errada provocou um grande mal-estar nos bastidores. A Globo teria tratado o caso como uma falha grave de comunicação no departamento de chamadas e abriu uma investigação interna para entender como a informação passou por tantos filtros antes de ir ao ar.
A chamada correta, com Turquia x Paraguai, foi exibida depois em intervalos de programas como Mais Você e Encontro com Patrícia Poeta na manhã desta sexta-feira (19). Ou seja: alguém acordou, olhou a tabela, viu que a Tunísia tinha sido escalada por engano e correu para recolocar o mapa no lugar.
O problema é que esse não foi o primeiro tropeço da Globo na cobertura da Copa. No primeiro dia do Mundial, o Jornal Hoje chegou a anunciar a transmissão de Coreia do Sul x República Tcheca, partida que era exclusiva da CazéTV. Depois, outros erros sobre jogos também apareceram no Hora 1 e viralizaram nas redes.
A própria Central da Copa, comandada por Fabio Porchat, Tadeu Schmidt e Tamires, chegou a brincar com os equívocos. Mas, nos bastidores, a história não foi tratada como piada. O caso de Tunísia x Paraguai foi visto como fora do normal, justamente porque chamadas de programação costumam passar por vários setores antes de ir ao ar.

E aí mora o constrangimento. Não foi um apresentador que tropeçou no nome ao vivo, não foi uma legenda corrida, não foi aquele erro humano no calor da notícia. Foi uma propaganda pronta, editada, aprovada e exibida, vendendo ao público um jogo inexistente. Para a Globo, que sempre fez do “padrão de qualidade” uma armadura, é o tipo de lambança que risca o verniz com chave de carro.
A Copa de 2026 já está sendo disputada em três países, com 48 seleções, tabela enorme e jogo em horário ingrato. Mas, convenhamos, se o torcedor comum consegue abrir o celular e ver que é Turquia, não Tunísia, a maior emissora do país também consegue. A não ser que a Globo tenha decidido lançar um Mundial alternativo, com tabela própria, VAR espiritual e seleção convocada no susto.