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Kátia Flávia
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Acrobata cai de 4,5 metros, quebra 11 ossos e cobra R$ 86 milhões do Cirque du Soleil

Artista afirma que companhia não disponibilizou colchões de segurança durante espetáculo nos Estados Unidos; processo cita outros 16 acidentes graves em 20 anos

Kátia Flávia

24/08/2026 15h45

Mariia Konfektova processa o Cirque du Soleil após queda durante espetáculo nos Estados Unidos

Mariia Konfektova processa o Cirque du Soleil após queda durante espetáculo nos Estados Unidos

A acrobata russa Mariia Konfektova, de 28 anos, está processando o Cirque du Soleil em US$ 16,75 milhões, cerca de R$ 86 milhões. Ela afirma ter caído de uma altura de 4,5 metros durante um espetáculo em Portland, nos Estados Unidos, sem colchões de segurança para amortecer o impacto.

Eu estava esperando a manicure terminar de secar a última camada do esmalte quando li “11 ossos quebrados”. Aí não tem fofoca leve, não tem piada, não tem “ai, que susto”: tem uma artista que subiu para trabalhar e, segundo o processo, caiu de quase cinco metros sem a proteção que deveria estar ali.

Mariia diz que sofreu concussão, visão dupla e fraturas na lombar, no pulso, no crânio e em sete ossos do rosto. O acidente aconteceu há dois anos, mas os problemas de saúde continuam, e ela agora cobra uma indenização milionária da companhia de circo.

O Cirque du Soleil afirmou, na época, que a artista estava se recuperando sob cuidados médicos, mas não comentou novamente o caso. A companhia também não se manifestou sobre as acusações apresentadas no processo, divulgado pelo jornal americano The Oregonian.

A manicure desligou o secador e perguntou se eu queria passar óleo nas cutículas. Eu só conseguia pensar na frieza desse bastidor: o Cirque du Soleil vende o impossível, o corpo que voa, a queda que parece coreografada, o artista que desafia a gravidade. Mas, fora do palco, alguém precisa garantir que exista segurança caso o impossível dê errado.

Segundo os documentos citados pela imprensa americana, o acidente de Mariia está entre 16 casos graves registrados durante espetáculos do Cirque du Soleil nos últimos 20 anos. A artista sustenta que a companhia negligenciou os cuidados necessários para a apresentação e que a ausência de colchões agravou as consequências da queda.

Ela fazia parte de Alegría — In a New Light, versão renovada de um dos espetáculos mais conhecidos da companhia. A produção é famosa justamente pela mistura de acrobacia, música e números de alto risco, aqueles que deixam o público sem respirar. Só que risco artístico não pode virar abandono de segurança.

Quando levantei da cadeira para pagar, fiquei olhando para as unhas recém-feitas e pensei no contraste: a gente vê o brilho do figurino, a luz, o salto, o aplauso. Não vê o treinamento, a dor, nem o que acontece quando o corpo de um artista cai sem rede, sem colchão e sem proteção. Mariia agora quer que o Cirque responda por isso na Justiça.

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