Bruno Fernandes, conhecido como goleiro Bruno, tenta responsabilizar a Band por reportagens exibidas desde 2022 no Melhor da Tarde e pede R$ 4 milhões de indenização por danos morais e uso de imagem. Condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, ele alega ser alvo de perseguição da emissora.
Eu ainda estava no leg press, suando mais de ódio do que de exercício, quando essa história voltou a piscar no telefone. Bruno não quer só indenização. Ele quer transformar crítica pública em perseguição e empurrar para a Justiça uma tentativa de calar a televisão. Logo a televisão, que só está falando de um caso que o Brasil nunca esqueceu.

Além da Band, Catia Fonseca também aparece como ré na ação. A apresentadora, que deixou a emissora em 2025, foi citada por uma fala feita no Melhor da Tarde sobre o não pagamento de pensão ao filho que Bruno teve com Eliza, Bruno Samudio. “Eu fico indignada com a cara de pau dessa criatura”, disse Catia na ocasião.
No processo, Bruno questiona matérias jornalísticas e vídeos que exploram sua imagem e retomam fatos relacionados à morte de Eliza. Ele também tentou impedir novas menções a seu nome no Melhor da Tarde e pediu a retirada de conteúdos já publicados pela Band.
A Justiça, por enquanto, não comprou essa tese. A juíza Juliana Gonçalves Figueira, da 1ª Vara Cível de Cabo Frio, negou a remoção dos conteúdos. Na decisão, afirmou que a liberdade de expressão deve ser a regra e que só pode ser limitada diante de conteúdo falso ou criminoso.
E aqui está o ponto. Bruno é pessoa pública, foi condenado por um crime de enorme repercussão e tenta tratar a lembrança desse passado como se fosse abuso da imprensa. Mas notícia não vira perseguição só porque incomoda quem virou notícia pelo pior motivo possível.
A magistrada também destacou que o ex-goleiro respondeu a um processo criminal amplamente acompanhado pela mídia e que as circunstâncias do caso podem voltar ao debate público. Em outras palavras: a memória do assassinato de Eliza Samudio não pertence ao incômodo de Bruno.
Eliza foi morta em 2010. As investigações apontaram que ela foi atraída do Rio de Janeiro para Minas Gerais sob a promessa de resolver a disputa de paternidade, mantida em cárcere privado e entregue a comparsas. O corpo nunca foi encontrado. Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver.

Atualmente, ele está preso desde maio por descumprir medidas cautelares, após violar regras de recolhimento noturno e viajar ao Acre para atuar em partidas de futebol profissional. Band e Catia Fonseca afirmam que não comentam casos judiciais em andamento. A defesa de Bruno foi procurada pela Folha, mas não respondeu.
Eu terminei a série no leg press pensando que tem gente que confunde silêncio com reparação. O caso Eliza não é uma fofoca antiga, não é uma mágoa televisiva, não é “perseguição”. É memória pública. E memória pública não se apaga com processo milionário.