Eu estava quietíssima no Cosme Velho — quietíssima é uma licença poética, porque nesta casa tem televisão ligada até quando eu estou dormindo — quando o telefone começou. Uma mensagem daqui, outra dali, e veio a sentença: “Kátia, se prepara para Casemiro”. PREPARAR COMO, minha filha? Casemiro já vinha passando mal e me mandam uma dessas como se estivessem avisando que vai chover no Jardim Botânico. E antes de eu conseguir processar a tragédia, Tonho e Alika resolvem se beijar e Omar flagra os dois. É muita informação para uma noveleira com pressão arterial!
Porque quinta-feira começa com Tonho acolhendo Alika, enquanto Caetana reza pela recuperação de Niara. E aí acontece: Tonho e Alika se beijam. Finalmente! Só que novela das seis não permite felicidade sem testemunha inconveniente, e Omar vê tudo. Pronto. O homem deve ter sentido o coração cair no chão de Barro Preto. Enquanto isso, Pascoal e Binta armam para interromper a rebelião em Batanga, Binta pressiona Campbell e Mirinho consegue transformar a própria noite de núpcias num velório conjugal ao chamar Virgínia de Lúcia. Meu querido! Na noite de núpcias? Isso não é ato falho, é pedido formal de divórcio com firma reconhecida.

E tem mais confusão sentimental. Fuad acha que Salma está com ciúme de Belmira, enquanto Salma, na verdade, pensa em Omar. Fortunato trata Manoel com rudeza, Ana Maria continua distante dele e Alika sofre ao encontrar Niara debilitada. Tonho tenta tranquilizá-la e promete que a rainha vai se recuperar. Só que, do outro lado dessa história, começa o sinal que me deixou desconfiada: Casemiro passa mal e Graça fica apreensiva. Eu conheço novela. Personagem passando mal no fim de capítulo nunca está com indigestão de cuscuz.
Na sexta-feira, 25, a coisa desanda de vez. Ana Maria percebe o interesse de Januário, Campbell avisa Binta sobre as consequências de romper o contrato de Batanga com a Inglaterra, e Akin e Ladisa fazem um acordo com Gamba para proteger Dumi. Pascoal, aquele alecrim estragado do reino, agride Dumi e deixa Kênia desesperada. Pelo menos chega uma notícia boa: Onildo informa que Niara apresentou melhora. Respirei. Pouco, porque essa novela dá felicidade em colher de chá e desgraça em balde.

E então Casemiro me aparece com aquela conversa que noveleiro reconhece a quilômetros de distância. Ele pede a Tonho que cuide de seu engenho e de Ana Maria. Tonho estranha. EU TAMBÉM ESTRANHEI, TONHO! Quando personagem começa a distribuir responsabilidade e organizar a vida dos outros, pode chamar padre, tabelião e trilha sonora triste. Diante de Mirinho e Ana Maria, Casemiro passa mal novamente. Desta vez, não resiste. Casemiro morre. E Barro Preto perde uma de suas figuras centrais justamente quando Tonho recebe dele uma missão capaz de virar o engenho de cabeça para baixo.
Agora prestem atenção porque eu não acredito em última conversa inútil em novela. Casemiro pedir justamente a Tonho que cuide do engenho e de Ana Maria antes de morrer tem cheiro de problema, herança e guerra familiar vindo aí. Mirinho já entrou no casamento chamando Virgínia de Lúcia; Tonho está beijando Alika; Omar assistiu ao beijo; Salma resolveu se declarar justamente para Omar; e Casemiro saiu de cena deixando uma bomba no colo de Tonho. Isso não é capítulo, é condomínio inteiro brigando no grupo de WhatsApp.
Minha torcida? Niara de pé, Alika firme e Tonho preparado, porque esse rapaz vai precisar de coluna. E quanto a Pascoal, alguém precisa providenciar uma queda à altura do sujeito depois do que fez com Dumi. Casemiro morreu, mas o pedido que fez antes de partir não morreu com ele. E conhecendo novela, meus amores, morto que deixa pedido é personagem que continua mandando na história mesmo depois do enterro.