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Kátia Flávia
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A ligação que fez Michael Jackson perder reunião nas Torres Gêmeas e sobreviver ao 11 de Setembro

Segundo relato de Jermaine Jackson, o cantor passou horas conversando com a mãe e a irmã, dormiu além da hora e não chegou ao World Trade Center

Kátia Flávia

11/09/2026 18h30

Michael Jackson esteve em Nova York nos dias que antecederam os atentados de 11 de Setembro

Michael Jackson esteve em Nova York nos dias que antecederam os atentados de 11 de Setembro

Michael Jackson teria uma reunião marcada no World Trade Center na manhã de 11 de setembro de 2001, data dos ataques terroristas que mataram quase 3 mil pessoas nos Estados Unidos. O compromisso, porém, não aconteceu porque o cantor dormiu demais após uma madrugada longa em Nova York. A história foi contada por Jermaine Jackson no livro “You Are Not Alone: Michael: Through a Brother’s Eyes”.

Eu fechei a revisão das legendas do Rock in Rio e fiquei alguns segundos olhando para essa história. Não é daquelas que cabem em uma frase de impacto sem carregar um peso enorme: uma conversa familiar, uma noite que avançou, um compromisso perdido e uma tragédia que mudou o mundo horas depois.

Nos dias anteriores, Michael havia participado dos shows que celebraram seus 30 anos de carreira solo, no Madison Square Garden. Depois da apresentação final, ele saiu para comemorar e teria falado por muito tempo ao telefone com Katherine Jackson e a irmã Rebbie. Foi essa conversa que, segundo o relato da família, reduziu o descanso do artista antes da reunião.

Jermaine escreveu que Michael telefonou para a mãe após os ataques e disse: “Mãe, estou bem, graças a você. Você ficou conversando comigo até tão tarde que eu dormi demais e perdi minha reunião”. A frase atravessou os anos porque transforma um detalhe doméstico, quase banal, em uma lembrança impossível de esquecer.

Eu estava organizando a ordem das chamadas do festival e deixei o cursor parado no título. A dimensão humana desse relato é justamente essa: Katherine e Rebbie não sabiam que aquela ligação atravessaria a madrugada com um significado tão brutal no dia seguinte. Era só uma família conversando.

A informação sobre a reunião no World Trade Center tem como fonte o livro de Jermaine e vem sendo repetida há anos em matérias sobre o 11 de Setembro. Não há, nas fontes consultadas, documentação pública independente que detalhe o local exato, o horário ou os participantes do compromisso. Por isso, a história deve ser tratada como o relato do irmão de Michael, não como uma reconstituição oficial.

O cantor estava em Nova York durante os atentados e, depois, se envolveu em iniciativas de apoio às vítimas e familiares. O 11 de Setembro deixou uma marca global e, para Michael, também teria passado a carregar a memória íntima de uma ausência involuntária que o manteve longe do local atingido.

Eu salvei a última legenda e fiquei com a frase de Jermaine na cabeça. A vida às vezes muda por um telefonema, uma noite mal dormida, uma porta que não se abre na hora planejada. No caso de Michael Jackson, o acaso ganhou uma dimensão que ninguém deveria precisar explicar.

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