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Kátia Flávia
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A estratégia de Virginia para transformar fãs em divulgadores gratuitos da WePink

Estratégia usa desafios para ampliar o alcance da marca e transforma a atenção da influenciadora em recompensa para seguidores

Kátia Flávia

03/09/2026 12h45

Virginia Fonseca em campanha da WePink

Virginia Fonseca em campanha da WePink

Virginia Fonseca passou a mobilizar fãs em desafios que envolvem interação e produção de conteúdo sobre a WePink. Segundo O Globo, os participantes podem receber produtos e, em alguns casos, curtidas ou follows da influenciadora como recompensa.

Eu lavei as mãos, deixei o livro da Travessa fechado sobre a mesa lateral e me joguei no sofá com uma almofada nas costas. A tarde ainda vinha cheia de reuniões, então decidi descansar cinco minutos e abrir o WhatsApp para a fofoca básica de sobrevivência. Foi aí que apareceu Virginia transformando fã em equipe de divulgação com prêmio, meta e possibilidade de ganhar atenção da patroa do feed.

A dinâmica é divulgada pela Central de Fãs Oficial da Virginia, perfil que se apresenta como administrado pela equipe da influenciadora. As missões podem incluir curtir posts, comentar, compartilhar publicações e criar conteúdo relacionado à WePink.

Eu abri um grupo de amigas, vi 37 mensagens acumuladas e pensei que Virginia entendeu uma coisa que muito executivo demora três reuniões e uma apresentação em PowerPoint para perceber: ninguém compartilha publicidade por caridade. Mas dá uma missão, promete produto e coloca um follow da Virginia na mesa que nasce uma tropa de marketing com ring light e brilho labial.

A especialista em marketing de influência Isabela Soller explicou a O Globo que a estratégia transforma admiradores em participantes ativos. Ao receber uma tarefa e ser reconhecido, o seguidor passa a se sentir parte do universo da marca, enquanto o conteúdo se espalha por dezenas ou centenas de perfis.

Eu respondi uma mensagem com um áudio curto, porque fofoca de WhatsApp tem que ter objetividade e emoção, e voltei para a notícia. O detalhe mais poderoso não é necessariamente o produto: uma curtida ou um follow da Virginia pode funcionar como recompensa de enorme valor simbólico para quem acompanha a influenciadora. Ela pegou uma coisa que tem em abundância — atenção — e transformou em moeda.

A jornalista e especialista em marcas pessoais Jussara Sanches apontou que Virginia construiu uma identidade facilmente reconhecível ao misturar negócios, rotina, família e bastidores. O público, portanto, não acompanha apenas o que ela vende, mas a narrativa que ela construiu nas redes.

Eu encostei a cabeça na almofada, coloquei o celular no modo silencioso por dois minutos e ri sozinha. Tem marca que paga uma fortuna para aparecer no feed; Virginia faz o próprio fã abrir câmera, editar vídeo, marcar amiga e agradecer pela chance de talvez ganhar um sabonete e um follow. A mulher não tem seguidores, minhas filhas — tem franquias emocionais.

Na prática, cada participante leva o conteúdo da WePink para os próprios amigos, grupos e redes, ampliando o alcance da empresa para além do perfil principal. Virginia transformou comunidade em estratégia e proximidade em recompensa, porque no universo dela até um coraçãozinho já vem com meta, campanha e relatório de alcance.

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