Thalita Tavares, ex-apresentadora do Globo Esporte Tocantins, morreu aos 46 anos após enfrentar um câncer. A notícia foi confirmada pelo Espaço Junior, centro especializado em autismo que ela idealizou e fundou. A pedido da jornalista, não haverá velório.
Eu tinha acabado de lavar a frigideira da tapioca e deixado o pano de prato no ombro quando li a nota, ainda com a chuva fina batendo no Cosme Velho. Parei na cozinha. Porque não era só a despedida de uma apresentadora conhecida pelo esporte: era a história de uma mulher que transformou a própria maternidade em acolhimento para muitas famílias.

O Espaço Junior leva o nome do filho de Thalita. Em comunicado, a instituição afirmou que não é possível contar a trajetória do lugar sem passar pela jornalista e a descreveu como “uma mulher de energia rara”, que deixou marca por onde passou.
Thalita foi um dos rostos da cobertura esportiva da TV Anhanguera, onde apresentou o Globo Esporte e também comentou esportes na CBN Tocantins. Ela deixou a emissora em 2013, quando se mudou para Maceió para acompanhar a família.
Eu encostei na pia e fiquei olhando a chuva pela janela. No último ano, Thalita enfrentou a doença longe de qualquer espetáculo. A nota do espaço fundado por ela diz que a jornalista encarou o câncer com bom humor e uma leveza que impressionava quem estava ao redor.
A decisão de não realizar velório foi comunicada como uma vontade dela. A instituição agradeceu as orações, pensamentos e mensagens recebidas nos últimos meses e pediu que essas demonstrações de carinho a acompanhassem agora com paz e tranquilidade.

Antes de seguir com a manhã, eu guardei a louça e pensei no tamanho de um legado que não cabe numa bancada de televisão. Thalita informou o público pelo esporte, mas deixou algo ainda maior: um espaço de cuidado que carrega o nome do filho e vai continuar falando por ela.