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JK Rowling e pessoas trans: grande polêmica no festival de Edimburgo

JK Rowling vive em Edimburgo, capital escocessa que acolhe, todo mês de agosto, o maior festival de espetáculos ao vivo do mundo, que atrai milhares de novas obras e uma multidão de artistas.

Redação Jornal de Brasília

01/08/2024 14h48

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Foto: Reprodução/Facebook

Uma nova obra criticando os comentários polêmicos sobre pessoas trans da autora de Harry Potter, JK Rowling chega, nesta quinta-feira (1º), ao famoso festival de Edimburgo, um dos maiores eventos de artes cênicas do mundo.

A obra, chamada “TERF”, imagina os atores das adaptações cinematográficas da saga discutindo com uma escritora que acredita que o “gênero biológico é imutável”.

“É uma intervenção de Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint para dizer a JK Rowling que deixou de dizer atrocidades no “Twitter”, resume à AFP Trelawny Kean, que interpreta Emma Watson.

As frequentes mensagens de ódio às pessoas trans da escritora em sua conta X, a classificaram como “feminista radical que exclui a comunidade trans” (TERF, em inglês).

Para o autor e diretor, Joshua Kaplan, “TERF” busca trazer à luz os direitos das pessoas trans e o desaparecimento de nuances sobre o tema nas redes sociais.

A obra explora como “as redes sociais contaminaram a forma que levamos as discussões e como as nuances se perderam”, enfatiza.

Preocupada, a produção está tomando medidas de precaução mudando o espetáculo de título e de sala. Além disso, o personagem trans da obra permanecerá em anonimato durante uma temporada.

“Esperamos que nossa companhia seja forte o suficiente para lidar com todas as bobagens sobre esse assunto”, comenta Berry Church Woods, produtor da obra e cofundador da companhia de produção Civil Disobedience, “realmente preocupado” pela violência das trocas sobre essas questões .

Divertida, com uma dinâmica familiar

JK Rowling vive em Edimburgo, capital escocessa que acolhe, todo mês de agosto, o maior festival de espetáculos ao vivo do mundo, que atrai milhares de novas obras e uma multidão de artistas.

Apresentar o espetáculo ali, no marco do festival, não tem nenhuma ligação com os vínculos da escritora com a cidade, diz Kaplan.

O debate em torno dos direitos das pessoas trans é intenso na Escócia. O governo local aprovou, em 2022, uma lei para facilitar a transição de gênero, que acabou por ser bloqueada pelo governo central em Londres.

Os atores da saga original, que interpretaram Harry, Hermione e Ronny, comentaram sobre suas relações difíceis com JK Rowling.

Daniel Radcliffe, intérprete do jovem bruxo, conta que não tem mais contato com ela, e se disse “triste” pelos acontecimentos.

JK Rowling, que não se expressou publicamente pela obra, gerou polêmica em dezembro de 2019 ao expressar apoio a um pesquisador que havia sido demitido por twitter que pessoas trans não podem mudar seu sexo biológico.

Daniel Radcliffe e Emma Watson se afastaram da autora, mesmo quando ela detalhou extensivamente sua posição e anunciou que havia sido vítima de agressão sexual e violência doméstica.

Ela se defende de qualquer acusação de transfobia, tornando-se heroína para algumas feministas radicais e, ao mesmo tempo, alvo de militantes transexuais e simpatizantes com a causa trans.

O espetáculo em si é “muito divertido, com uma dinâmica familiar” entre os atores e a autora, diz a atriz Trelawny Kean.

“Ele intercala com cenas do passado de JK que não fingiram os motivos da sua opinião”, acrescenta.

Nossos atores, muito apaixonados por Harry Potter, têm dificuldades para conciliar seu amor pela obra e os posicionamentos polêmicos da autora.

Kaplan quer abordar de frente neste trabalho o fato de que se pode “amar a arte e discordar do artista”.

Agence France-Presse

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