Beatriz Castilho
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Com um pé na Inglaterra e outro no Brasil, Jesuton é do mundo. Filha de jamaicana com nigeriano, teve o oeste europeu como berço de nascimento. Apaixonada pela cultura latino-americana, passou por diversas regiões, mas, desde 2012, faz do território brasileiro sua casa. Assim, em seu primeiro álbum autoral, “Home” (2016), a cantora explorou o conceito de lar, como já adianta o título em inglês. Trazendo a turnê do disco, a cantora se apresenta neste sábado (28), no complexo Ice Park (Pontão do Lago Sul).
A partir das 21h, o show explora o conceito utilizado na temática principal, que vai muito além do local físico. “Ao longo da vida, você vai construindo várias, é possível ter várias ao mesmo tempo. Casa é sua identidade e o lugar onde você se sente à vontade”, conta em entrevista ao JBr..
Dessa forma, a britânica vê nos palcos uma possibilidade de troca de cultura, tendo a música como meio. “Ele transmite muitas emoções sobre coisas da vida, etapas e destinos. São verdades diversas que convivem dentro da gente, então acho que vai ser muito especial”, aponta.
Antes acostumada a performar covers, Jesuton, em “Home” viaja em canções inéditas, que vão do português à língua nativa. Com 12 faixas, o disco tem composições da cantora, e parcerias com o produtor Bernardo Martins, Dani Black e Seu Jorge.
Intercâmbio
Quando chegou no país, em 2012, a britânica Rachel Jesuton Olaolu Amosu utilizava as ruas cariocas como palco. Já com nome artístico, interpretava canções de Amy Winehouse e Adele, e a partir de publicações de vídeos na internet, ganhou notoriedade – e decidiu tornar do hobby sua profissão.
“Aqui achei um espaço de desenvolver como artista. Como um amigo me diz, é difícil de ouvir algo que não pode fazer. É o famoso jeitinho brasileiro que, no lado positivo, promove a criatividade. São vários jeitos de fazer qualquer coisa, e eu acredito muito nisso”, relata.
Além de auxiliar o desenvolvimento de sua relação com a música, a paixão pelo Brasil veio do bom acolhimento que encontrou. “Foi um espaço aconchegante, aqui que é receptivo a pessoas de fora”, e completa: “O fato de ter feito faculdade e depois decidir fazer música faz até mais sentido aqui, onde encontramos identidade múltiplas. Existe flexibilidade na vida, na Inglaterra pessoas são feitas para fazer uma coisa, no Brasil existe multiplicidade”.
Entre as inspirações nacionais, estão Djavan, Elza Soares e Milton Nascimento, mas a cantora esclarece que são vários. “Aqui você tem um universo de música e sons. Ultimamente estou tentando ver mais sobre as raízes de sertanejo, os cantos velhos, examinando as letras, vendo outras realidades, gente do campo, que acho fascinante”, pontua.
Com as novas pesquisas musicais, vieram inspirações e vontades de novas parcerias. Mas, quando questionada sobre um próximo disco, a cantora aponta: “Ainda tem muitos lugares que quero levar o ‘Home’ no Brasil”.
Serviço:
Data: 28 de julho (sábado)
Horário: 21h
Local: Ice Park (Pontão do Lago Sul)
Ingressos: R$ 50 (meia) e R$ 100 (inteira)
Informações: 98169-7376.
Classificação 14 anos.