Beatriz Castilho
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A receita é simples. Os ingredientes são música brasileira e diversidade. Quando misturados ao fim de semana, resultam em uma programação para todos os gostos. Buscando fomentar a cena musical de Brasília, o Festival CoMA – Convenção de Música e Arte traz à capital, em sua segunda edição, mais de 50 atrações em dois dias de evento, movimentando uma cidade com sede de arte. “Brasília é uma das cidades criativas mais fortes, só faltava um festival novo, que empolgasse a cena cultural. O formato veio de experiências nossas em festivais, seja tocando ou indo como público, pegamos várias referências”, explica Tomás Bertoni, guitarrista da Scalene e um dos produtores do evento.
O festival toma espaço no Eixo Monumental com cinco palcos, que se espalham pelo gramado da Funarte, Clube do Choro e Planetário.
No sábado (11), o trio brasiliense de electropop Cachimbó abre as apresentações do festival, às 15h30. Também de Brasília, tocam no dia Augusta, às 16h; Rosa Luz, 18h10; Alarmes, 18h20, entre outros. Supercombo, ÀTTØØXXÁ, Ricon Sapiência e Menores Altos são algumas das atrações nacionais do dia.

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Atração principal de sábado, com show marcado para as 22h55, no Palco Norte, Elza Soares se diverte em meio a tantas atrações jovens. Veterana da música brasileira e nome consagrado, ela diz que a diferença de gerações não interfere na conexão com o público. “Música é música, não tem idade. Nós estamos passando informações boas e a garotada quer saber de coisas verdadeiras. É muito lindo ver isso, porque música, sendo boa, acaba (dando certo) em qualquer lugar”, garante, em entrevista ao Jornal de Brasília.
Em suas mais de seis décadas de carreira e do alto de seus 81 anos, Elza ecoa questões sociais em suas letras. Ícone feminista, a carioca justifica seu vigor à força da mulher. “Estou aí, continuo com a força que tenho para cantar. É no acreditar e ter muita fé, com o acreditar você vai longe”. A temática está presente em seu mais recente lançamento, o disco Deus é Mulher”.
Quem também se apresenta no evento é a banda mato-grossense Vanguart, às 17h25, no Palco Sul, misturando nostalgia com ansiedade. “Surgimos em festivais, em 2005. É um ambiente muito produtivo, uma vitrine para bandas”, conta o baixista Reginaldo Lincoln. Viajando entre o indie e o rock, a sonoridade da banda é variada, sendo marcada em grande parte pelo violino.
No domingo, o festival começa mais cedo, às 15h. Na programação, nomes como Chico César, Plutão Já Foi Planeta, Sr. Gonzales Serenata Orquestra e Céu.

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Outra cantora que traz a força da mulher negra para sua apresentação é a paulistana Linn da Quebrada, que canta no domingo, às 20h, no Palco Sul, com repertório que mistura rap e funk.
Linn é trans, e aborda a temática em suas canções. “Minha matéria-prima é falar sobre corpo. Produzo conhecimento sobre o corpo porque, até pouco tempo atrás, não havia narrativa sobre corpos como o meu”, explica, em entrevista. Para ela, ver nomes da comunidade LGBTQ no line-up é um reflexo de mudança. “É a invasão dos nossos corpos em determinados espaços”, conclui.
Além dos shows, o CoMA conta com palestras e debates na sexta-feira, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
Serviço
CoMA – Convenção de Música e Arte
Nesta sexta, sábado e domingo, em horários variados. No Eixo Monumental. Ingressos a partir de R$ 50. Informações: www.festivalcoma.com.br. Não recomendado para menores de 16 anos.