Beatriz Castilho
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Após dois anos na estrada, a turnê Tô na Vida, de Ana Cañas, chega ao fim na capital, em três apresentações. Os shows acontecem a partir de hoje, na Caixa Cultural, sempre às 20h, e contam com interpretações de clássicos da MPB e músicas inéditas da cantora. Com mesmo nome da turnê, o último álbum – e primeiro autoral da artista – tem a vida como temática – desde questões de gênero e amor até a morte de seu gato.
Nascida em São Paulo, Ana Cañas, de 37 anos, é cantora desde os 22. Não deu tempo de concluir o curso de Artes Cênicas, que cursava na Universidade de São Paulo. Descobriu a música de forma espontânea: estudando Ella Fitzgerald para concorrer a uma vaga de emprego. Ficou conhecida após se apresentar, durante cinco anos, no Hotel Fasano, em São Paulo. “Sem querer desmerecer faculdades de música, não troco essa experiência por formação alguma. Acho que essa escola ‘da noite’ reflete até hoje na forma como canto”, revela Ana, em entrevista ao JBr.
Inicialmente lançada como cantora de MPB, mas com influências de jazz, no álbum Amor e Caos (2007), Cañas percorreu uma mistura de estilos. Hoje seu som é caracterizado por pegadas de rock e apresentações intensas. “Na verdade, gosto de diversidade. É como se fosse um pacote de jujubas que tem todas as cores. Isso vem um pouco das coisas que me inspiram também, como as produções de Nina Simone, Billie Holiday, Janis Joplin”, explica a intérprete.
Dia Internacional da Mulher
O último dos três shows na capital é nesta quinta, Dia Internacional da Mulher. Feminista, Ana acredita que vivemos em uma época de mais poder feminino, e isso se reflete no mercado musical. “Desde 2005 tem surgido uma geração de cantoras-compositoras, o que antes era muito intenso, porém esporádico”, opina. Para ela, as redes sociais deram voz a grupos minoritários, o que influenciou o fortalecimento de movimentos sociais. “Mulheres estão se conscientizando, se unindo. É importante debater e questionar essas pautas”.
Ano passado, Ana lançou o clipe Respeita, um grito feminista para expor o silenciamento do assédio contra as mulheres e pedir respeito, com som inspirado em hip hop dos anos 80 e participação de 86 mulheres. O single é uma das músicas preferidas da cantora. “Seria hipócrita se dissesse que não tenho música preferida. Essas canções acabam fazendo parte da vida das pessoas. Já se casaram com Pra Você Guardei o Amor”, exemplifica.
Ela se prepara para lançar o próximo trabalho no segundo semestre. “Já está na hora, Tô na Vida tem três anos”. Quando questionada sobre o título do álbum, a cantora dispara: “essa é a última etapa para pensar, nomear é uma das coisas em que tenho mais dificuldade”. Sem pressa, Ana ‘tá na vida’.
Serviço:
Tô Na Vida
Hoje, amanhã e quinta-feira, sempre às 20h, no Teatro da Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul). Ingressos a R$ 10 (meia-entrada). Informações: 99550-2192. Classificação livre.