Menu
Entretenimento

Editora anuncia a publicação no Brasil do clássico A Rosa de Versalhes

Arquivo Geral

02/07/2018 10h52

Michel Toronaga
Especial para o Jornal de Brasília

As bancas e livrarias do País receberão, no segundo semestre de 2018, um dos mais importantes mangás shoujo (voltados para o público feminino). Mas engana-se quem imagina uma publicação sobre relacionamentos amorosos e roteiro água com açúcar. Trata-se de A Rosa de Versalhes, da autora Riyoko Ikeda. A trama mistura fatos históricos com ficção e envolve política, assassinatos, traições e guerras. Produzida entre 1972 e 1973, a trama tornou-se um sucesso mundial e continua mais atual do que nunca. Quem trará o clássico para o País é a editora JBC.

Serão cinco volumes que contam a saga de Oscar François de Jarjayes. Ela nasceu em meados do século 18, filha de um general responsável pela segurança da família real francesa. A protagonista é criada como se fosse um homem, uma vez que mulheres não podiam assumir o prestigioso cargo. É assim que Oscar entra para a Guarda Real, tendo a função de proteger a jovem rainha Maria Antonieta, que havia acabado de chegar da Áustria para se casar com Luís 16.

O roteiro de Ikeda mostra-se bem fiel ao que é conhecido pela história mundial, tendo algumas dramatizações que só fazem melhorar a trama. Entre as criações está André, amigo de infância de Oscar que cresce e é secretamente apaixonado por ela. É por isso que, mesmo com o final sendo algo já bem conhecido, pois a Revolução Francesa foi um marco, a narrativa consegue prender a atenção.

Personagens icônicos, como o revolucionário Robespierre, estão presentes. Assim como a polêmica Madame du Barry, criadora de intrigas contra Maria Antonieta. A rainha, por sinal, é de grande importância, ainda mais por causa do seu caso extraconjugal com o conde Fersen – um relacionamento que foi motivo de especulações por parte dos historiadores e só confirmado recentemente, com a decodificação das cartas trocadas pelo casal.

Com tanto material histórico de qualidade, a autora conseguiu desenhar sobre dramas, amores impossíveis, vinganças, a revolta da população diante dos impostos e um sistema político falido. Com sua belíssima arte, Ikeda criou uma personagem forte, destemida e com muito senso de justiça. Oscar é um perfeito exemplo da mulher empoderada, uma personagem que não existe para ser interesse romântico de ninguém – está muito além da futilidade do estilo de vida da Corte Real.

Expectativas

A editora JBC demorou três anos para conseguir os direitos de publicação de A Rosa de Versalhes. “Ficamos muito felizes em poder lançar um dos maiores clássicos japoneses no Brasil”, afirma Cassius Medauar, gerente de conteúdo da JBC. Ele tem boas expectativas em relação ao lançamento, que deve ter periodicidade bimestral ou trimestral. “Quando anunciamos, a reação do publico foi incrível, com muita gente feliz. Então acreditamos que A Rosa de Versalhes será um grande sucesso”, comenta.

Quem também comemora é Valéria Fernandes, professora e criadora do site Shoujo Fan. Ela acredita que poderia usar partes do mangá para dar aula com facilidade, pois considera o trabalho historicamente muito consistente. “É uma obra revolucionária por ser o primeiro mangá shoujo histórico e pela forma como a autora dialoga com as questões feministas de sua época, a luta das mulheres por um lugar no mercado de trabalho e pelo respeito às suas escolhas”, diz.

Para Valéria, a arte da autora vai se refinando conforme os volumes avançam. “Alguns quadros são belíssimos. Um dos que mais gosto é já no final, com Maria Antonieta ao pé da guilhotina, passando em revista a sua vida”, relembra.

Versão live action

Em 1979, A Rosa de Versalhes virou um longa-metragem chamado Lady Oscar. Filmado na França, foi lançado primeiro no Japão. Apesar de não ter recebido críticas favoráveis na época, principalmente por causa da atuação da atriz protagonista (Catriona MacColl), o filme teve direção do premiado Jacques Demy.

Responsável por musicais inesquecíveis, como Os Guarda-Chuvas do Amor, Duas Garotas Românticas e Pele de Asno, ele repetiu na trilha sonora a parceria com o talento compositor Michel Legrand, que já ganhou três Oscar.

Para ter ideia

Para se ter ideia da importância de A Rosa de Versalhes, em 2008, a autora Riyoko Ikeda recebeu a Ordre National de la Légion d’honneur, na França. Foi uma honraria por sua contribuição de conhecimento da história francesa no Japão.

O mangá foi adaptado e deu origem a um anime entre 1979 e 1980. Teve 40 episódios e um especial. O character designer ficou por conta de Shingo Araki e Michi Himeno, cujos traços são muito conhecidos no Brasil. Um dos seus trabalhos mais conhecidos foi a adaptação de Os Cavaleiros do Zodíaco.

No Brasil, a animação foi lançada e compilada direto em VHS, com dublagem em português.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado