Larissa Galli
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Quatro moradores de uma pensão da Lapa, no Rio de Janeiro, vivem grandes desventuras em série na cidade maravilhosa. Héctor é um Don Juan do avesso, órfão de mãe e pai, que chega ao Rio com um bilhete no bolso, dado pelo pai, indicando caminhos para descobrir sua misteriosa origem. Esse é o ponto de partida de Boa Noite, Rio, primeira ficção escrita por Leandro Mazzini, jornalista e colunista de política do Jornal de Brasília. “É psicodélico, metafórico e transgressor de estereótipos”, garante o autor.
O lançamento em Brasília acontece hoje, das 19h às 22h, na livraria Leitura do Shopping Pátio Brasil (Setor Comercial Sul), com direito a noite de autógrafos.
O mineiro Mazzini escolheu o Rio de Janeiro como cenário para seu primeiro romance porque morou na capital fluminense por nove anos. Em entrevista ao JBr., ele diz que conheceu bem a Lapa, Santa Teresa, o Centro, a zona Norte – a parte boêmia do Rio que, segundo ele, “a cidade não mostra naquele estereótipo do Rio ‘samba-feijoada-futebol-praia’”.
A grande inspiração, explica, foi justamente a cidade e suas ruas. “O Rio é muito daquilo bem citado num trecho da música cantada por Fernanda Abreu: ‘Rio 40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos’. Essa frase resume bem a cidade. Tem o lado ruim e o bom. O glamour e o que não é falado. Toda cidade tem seu submundo, todo ser tem o seu lado oculto. E passeio por essa premissa no livro”, resume.
“Escrevi o livro em oito noites escalonadas, em 2000, quando morava no Rio”, conta o autor. “Nada autobiográfico, claro”, garante. De acordo com Mazzini, seu livro é uma obra transgressora. “Mesmo todo ficção, tentei envolver o leitor numa aura da cidade que ninguém conhece. Há crimes, drogas e muito sexo. Mas a alma do livro é a busca incessante e inevitável pela sobrevivência – e assim os personagens se envolvem”, finaliza.
Três perguntas para Leandro Mazzini:
1. Há algo de política no livro?
Nada. Ele é todo ficção e não tem nada a ver com política, assunto que cubro hoje pela profissão que amo.
2. Encontrou dificuldade para escrever ficção?
Não muita. Eu me tornei jornalista porque desde pequeno queria ser escritor. O jornalismo foi o caminho, mas escrevo crônicas desde os 17 anos. Sou muito influenciado por (Fernando) Sabino, Drummond de Andrade, Stanislaw (Ponte Preta), entre outros. O processo narrativo ganhou corpo naturalmente.
3. Pretende seguir escrevendo romances? Há algo em mente para o futuro?
Não há um plano. Boa Noite, Rio ficou na gaveta por 17 anos. Decidi, agora, tirá-lo da gaveta. Tenho um (livro) de crônicas pronto há 8 anos, mas não sei quando vou lançar. Priorizo o meu trabalho de jornalismo político, mas esses livros servem como válvula de escape.
Serviço
Boa Noite, Rio
Autor: Leandro Mazzini
Editora: Litteris Editora
Páginas: 176
Preço médio: R$ 30