Beatriz Castilho
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Utilizado como palco para coreografias e oficinas, o Centro de Dança do DF virou tela de pintura, dançando conforme o movimento dos pincéis – ou sprays. É nesse cenário que se instala a exposição Corpo, Diversidade e Cidade, aberta hoje ao público, com classificação indicativa livre.
A mostra faz parte da programação criada Secretaria de Estado de Cultura do DF para movimentar o ambiente.
Abrindo a temporada do terceiro módulo do planejamento, intitulado Dança e Diversidade, o evento reúne três artistas da capital escolhidos a partir de uma seleção promovida pelo órgão: Carli Ayô, Daniel Sinimbú e Didi Colado. Ao lado de uma convidada, a baiana Talhita Trindade, eles são responsáveis por interpretar a ideia de coreografia social.
Novo espaço
Pintar a parede do Centro foi o primeiro contato de Didi com o lugar. “Fiquei encantada com a dimensão de lá, que fugia do meu conhecimento”, conta a artista. “Isso me despertou coisas em que nem havia pensado. A dança é uma arte linda e representa muito, então foi um privilégio ter sido escolhida entre tanta gente.”
Apesar de caracterizar a arte urbana como ampla, a grafiteira, desta vez, utilizou apenas tinta em spray para ilustrar corpos dançantes envoltos por elementos da natureza. Entre dobras e curvas, Didi conta que procurou representar a naturalidade dos corpos.
- Divulgação
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Sagrado Feminino
“Busquei o natural, mais cheinho, cheio de curvas e com cabelos diferentes”, explica. Ela diz ter se fundamentado no Sagrado Feminino, um ideal que busca a feminilidade como protagonista. “É a valorização do seu corpo natural, aquilo que te influencia no seu dia-a-dia”, resume.
A filosofia do Sagrado Feminino é saudada como um movimento espiritual que busca resgatar uma consciência antiga com o objetivo de fazer com que as mulheres se valorizem em todas as áreas da vida, como amor, trabalho e amizade, capacitando-se como suficientes e poderosas.
Esses também são os princípios que regem os trabalhos do coletivo Risoflorais, do qual Didi participa, ao lado de Camilla Leite e Veronica Pires. “Sempre fazemos uma obra só, e sempre com esse questionamento do respeito e da igualdade”, diz.
Serviço
Centro de Dança
Localizado na Quadra 1 do Setor de Autarquias Norte, próximo ao interditado Teatro Nacional, o Centro foi inaugurado em 1993, fechado em 2013 e reaberto em 28 de fevereiro deste ano.
Para a reabertura, foi realizada uma reforma de R$ 3,2 milhões, financiada pela Terracap, que aperfeiçoou a estrutura já existente, providenciando a compra a e instalação de novos materiais. O projeto de reestruturação do local engloba o programa Lugar de Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura do DF. A exposição fica em cartaz até meados de setembro, ainda sem data oficial de encerramento. A visitação ocorre durante o horário de funcionamento do ambiente, das 8h às 22h. A entrada é franca. Informações: 3322-5593.


