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Celebridades

Sabia que ia causar, diz Junior Lima sobre foto de divulgação em que aparece quase nu

Depois de uma cutucada do pai, o cantor Xororó, ele remontou seu estúdio

Redação Jornal de Brasília

22/05/2024 16h42

Foto: Reprodução

MARIA PAULA GIACOMELLI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Foi durante o período da pandemia que Junior Lima teve convicção de que queria fazer música pop. A decisão aconteceu após um tempo afastado dos instrumentos e do microfone, até mesmo sem escutar nada. Depois de uma cutucada do pai, o cantor Xororó, ele remontou seu estúdio.

“Nesse período, eu me distanciei da música. Meu pai me mandou uma e falou: ‘Ouve aí, mexe, vê o que que você acha’. Eu estava sem ouvir nada, sem tocar, mexi, fui colocando uns barulhinhos diferentes, sintetizadores, pulsando alguns teclados e gostei”, conta, em entrevista à reportagem.

Junior se animou. Abriu o computador, montou uns cavaletes, colocou uma tábua em cima e o computador, e, voilà, remontou o estúdio. Passou a produzir e criar sem parar e diz não ligar para quem estranha sua guinada musical. “O pop pode ser diferente [de as pessoas associarem a mim], mas a mudança foi natural. Quero, acima de tudo, me realizar.”

“Lembro da primeira sensação de abrir o computador e ver aquela tela em branco, pensar: ‘Tá, por onde eu começo, que som que é esse?'”. Pegou a manha rapidinho e, em pouco tempo já compôs 54 músicas, das quais 23 compõem o primeiro disco solo do artista.

A primeira parte estreou em outubro de 2023, e a segunda chega às plataformas digitais na quinta (23). Na noite de quarta (22), ele vai fazer uma audição beneficente em prol das vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul na casa de shows Audio, zona oeste de São Paulo.

Um de seus singles preferidos é “Seus Planos”, que agitou as redes sociais por uma foto em que o cantor aparece parcialmente pelado.

Junior afirma que, com 35 anos de carreira, a foto é “só mais uma forma” de estar nu para o público, já que, garante, se sente exposto com o trabalho que apresenta aos fãs. Ele não é bobo nem nada e sabia, no entanto, que o burburinho gerado pela quase nudez atrairia atenção.

[Pensei] ‘Um negócio desse vai dar uma causada’, juntei o útil ao agradável”, admite. “As pessoas estão consumindo de tudo o tempo todo, [então é um jeito de] você conseguir falar ‘opa, presta atenção que eu tenho aqui um trabalho’.”

Aos 40 anos de vida recém-completados, diz sentir a idade de um jeito diferente, já que começou a trabalhar muito cedo. Para algumas coisas, tem disposição de uma pessoa de 55 anos; já em outras, um pós-adolescente.

“O tempo é um pouco distorcido na minha percepção. Sinto uma maturidade maior, coisas que me incomodavam, me afligiam ou me deixavam inquieto, assentaram um pouco nos últimos anos. A pandemia nos obrigou a lidar com tantas coisas, com tantos pensamentos, eu trouxe mais uma filha ao mundo.”

Apesar de crescer exposto, Junior diz não se arrepender da carreira construída ao lado de Sandy desde os quatro anos, mas afirma que não deixaria os filhos embarcarem na mesma hoje em dia. Ele é pai de Otto, de 7, e Lara, 3, frutos do relacionamento de 10 anos com a modelo Monica Benini.

O cantor percebe que a família, assim como a ex-dupla, “segurou bem a onda” se comparado a ex-artistas mirins -o que não quer dizer que não houve consequências.

“Não existe comparação dos anos 1990 com 2024, é tudo diferente, e eles fizeram o que estava ao alcance deles para nos protegerem. Faço análise, religiosamente, desde os meus 21 anos, não perco de jeito nenhum, é fundamental para a minha saúde mental. Tem questões que eu tenho que trabalhar, lidar, já tive fase de depressão, fase de pânico. Não falo muito porque eu tendo a me recolher nesses momentos. Mas me pegou e pegou a minha irmã também.”

Ele cita também como essenciais para a saúde mental a forte presença da mãe, Noely, e do pai, Xororó, além do fato de os pais não serem economicamente dependentes dos dois -o que frequentemente acaba gerando cobranças e frustrações nos parentes de crianças prodígio, como Sandy & Junior.

“Não quero nem romantizar isso, mas a minha mãe abdicou da vida dela, e isso não foi de graça, teve um custo, já que ela abriu mão de tudo, mas ela botava os nossos pés no chão enquanto todo o entorno tende a te tirar do chão”, relembra.

“A gente amava fazer aquilo. Durante toda a nossa infância, até virar adulto, nosso dinheiro só ficava guardado, e meu pai continuava sendo quem sustentava a família. Eu não tinha essa noção, minha relação com o dinheiro foi acontecendo conforme fui entendendo que o dinheiro passou a ocupar um lugar de consequência do meu trabalho. E é um puta privilégio no nosso país poder falar isso, tenho completa noção disso hoje em dia.”

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