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‘Goleiro Bruno’ processa a Band por suposta perseguição e pede R$ 4 milhões de indenização

Redação Jornal de Brasília

11/08/2026 6h35

Gabriel Vaquer
Folhapress


Condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010, Bruno Fernandes, mais conhecido como “goleiro Bruno”, está processando a Band. Ele pede uma indenização de R$ 4 milhões devido a uma série de reportagens exibidas desde 2022 no programa Melhor da Tarde, pelo qual diz ser perseguido.

Além da Band, Catia Fonseca, que não está na emissora desde 2025, também aparece como ré porque fez críticas a ele na atração. O caso corre na 1ª Vara Cível da Comarca de Cabo Frio, no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro).

Procurada por email e por telefone por quatro vezes desde a manhã desta segunda-feira (10), a defesa de Bruno não respondeu aos contatos. Band e Catia afirmam que não comentam casos judiciais em andamento.

Na ação, Bruno questiona matérias jornalísticas e publicações em vídeo que exploram sua imagem e fatos relacionados à morte de Eliza. Ele também cita uma fala de Catia, que o criticou por não pagar pensão ao filho que teve com Eliza, Bruno Samudio.

“Eu fico indignada com a cara de pau dessa criatura. Matou do jeito que matou a Eliza, não quer nem saber da criança —que, nesse ponto, a gente dá até graças a Deus, porque, coitado do menino, não merece ter uma relação com uma criatura ruim dessa. Mas na hora que vão prender, quer fazer acordo”, afirmou a apresentadora.

Bruno afirmou que as falas tornaram mais difícil a possibilidade de ele conseguir trabalhos. Também citou outras reportagens da Band ao longo dos anos para provar sua tese de perseguição.

No início do ano, o Melhor da Tarde, já sem Catia Fonseca, voltou a falar de sua relação conturbada com o filho. Atualmente, Leo Dias, Chris Flores e Thiago Pasqualotto comandam a atração.

No processo, Bruno pede uma indenização de R$ 4 milhões por danos morais e violação de direito de imagem. O ex-goleiro também tentou proibir reportagens sobre o caso feitas pela Band e qualquer menção a ele no Melhor da Tarde.

A juíza Juliana Gonçalves Figueira, no entanto, negou a retirada dos conteúdos. “A liberdade de expressão deve ser a regra, somente podendo ser cerceada ante evidente conteúdo de natureza falsa e criminosa. Em que pese o tom pejorativo da matéria televisiva, não se verifica que haja risco aos autores a manutenção da publicação”, afirmou a magistrada.

“Note-se que o autor é pessoa pública e respondeu a processo criminal que teve ampla repercussão midiática, de forma que, eventualmente, as circunstâncias e condições do caso retornam à cena, na qual se desenvolvem notícias e especulações, o que não por si só não é ilegal”, reforçou a juíza. O caso ainda não tem previsão de ser julgado definitivamente.

RELEMBRE O CASO


O assassinato de Eliza ocorreu em junho de 2010. Bruno foi condenado por ser o mandante do homicídio. As investigações da Polícia Civil apontaram que ela foi atraída do Rio de Janeiro para Minas Gerais sob a promessa de resolver a disputa pela paternidade.

Acompanhada do filho, que na época era recém-nascido, Eliza foi mantida em cárcere privado em um sítio de Bruno em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte. Em seguida, a modelo foi entregue a comparsas do jogador e levada para a residência do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como o executor do homicídio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Eliza foi morta por asfixia. Testemunhos indicaram que o corpo foi esquartejado e os restos mortais ocultados, sem que tenham sido encontrados pelas autoridades até hoje.

Em março de 2013, o Tribunal do Júri de Contagem (MG) condenou Bruno a 22 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho, além de ocultação de cadáver.

Após alguns anos em liberdade condicional, Bruno está preso desde maio por descumprir medidas cautelares. Ele descumpriu regras de recolhimento noturno e viajou para o Acre a fim de atuar em partidas de futebol profissional.

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