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Gilberto Gil diz que poder de mudar governos está no voto

O cantor participou no programa da TV Cultura, no Roda Viva, que foi gravado e veiculado na noite desta segunda

Por FolhaPress 24/05/2022 8h41
O cantor participou no programa da TV Cultura, no Roda Viva, que foi gravado e veiculado na noite desta segunda Foto/Reprodução

Gilberto Gil , 79, disse que uma parcela da classe governamental está do lado negativo da vida humana e que o poder de mudança está no voto. A afirmação foi feita no centro do Roda Viva (TV Cultura) -23 anos após sua última participação no programa-, que foi gravado e veiculado na noite desta segunda-feira (23).

Gil respondia a um dos entrevistadores que perguntou se a música “Pessoa Nefasta” (1984) foi feita para um político específico. O cantor disse que a canção fala da possibilidade do ser humano de mostrar um lado obscuro que habita em todos e que em alguns “hipertrofia”.

“Era uma época que o [Paulo] Maluf era um dos grandes homens da vida política no Brasil. Me perguntaram se era para o [ex-governador da Bahia] Antônio Carlos Magalhães. Eu digo que não é dirigido [a ninguém]”, disse.

Gil afirmou ainda que uma parcela da atual classe governamental está do lado negativo da vida humana. “A vida deu a chance deles chegarem [ao poder] com suas milícias. Tomara que estejamos aptos a nos livrar deles.”

O cantor falou que já dava para imaginar que no atual governo haveria a destruição das artes, que a cultura seria minada e os fomentos abandonados. “A gente fica consternado com tudo isso que está acontecendo, mas não é o suficiente, é preciso lutar, insistir”, enfatizou.

Gil disse que o povo, a sociedade devem tomar nas mãos a responsabilidade de mudar isso e um dos grandes instrumentos de mudança é o voto. “Nós temos a possibilidade de remoção dos governos a cada eleição, temos a possibilidade de manter ou substituir governos.”

O período no Ministério da Cultura, no governo Lula (PT), foi analisado pelo artista como uma fase em que era obrigado a priorizar escolhas. “Eu dentro de mim mesmo deixo o caos se largar para onde quiser”, disse. “Ali não. Ali eu tinha o orçamento, para onde vai, que projeto acolher, que escolha fazer”.

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Segundo ele, foi uma fase em que teve a oportunidade de juntar o seu jeito contemplativo, que espera o momento de entrar como pacificador, e o fato de estar no meio do conflito. Como exemplo de decisões importantes, citou os pontos de cultura, que chegaram até o “lixão de Maceió e a biblioteca do açougueiro de Brasília”.

Em um trecho bem-humorado da entrevista, o cantor lembrou um episódio “folclórico” envolvendo o seu nome, ocorrido quando o sítio da família foi assaltado. Três homens armados entraram no local e perguntaram onde estava o cofre. “Eu disse: procure. Não é você que está fazendo esse serviço?”. Foi um ato impulsivo que depois virou história contada por músicos nos bastidores.

O cantor falou também sobre a sua eleição para a ABL (Academia Brasileira de Letras) como uma consequência de um trabalho na cultura popular realizado ao longo da vida. Ele citou Villa-Lobos, Ary Barroso e Tom Jobim como músicos que poderiam ter ido para a academia antes dele.

Do ponto de vista pessoal, Gil discorreu sobre envelhecimento e legado. “Vou virar ancestral, já estou chegando perto disso”, afirmou. “De vez em quando alguém me diz: você vai virar orixá. Eu digo: tudo bem, qual é o problema? É deles que eu venho”.

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Gil disse que, quando ele desaparecer, ficará o cancioneiro e os documentos gerados a partir da voz dele, como as entrevistas.








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