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Atores de ‘The Boys’ vêm ao Brasil, comem formiga e falam palavrão em português

O elenco desembarcou em São Paulo no início da semana para o lançamento do último episódio da terceira temporada da série

Por FolhaPress 07/07/2022 12h24
O elenco desembarcou em São Paulo no início da semana para o lançamento do último episódio da terceira temporada da série Foto: Reprodução

Recebido por uma multidão de fãs que os aguardava no aeroporto, o elenco de “The Boys” desembarcou em São Paulo no início da semana para o lançamento do último episódio da terceira temporada da série, que chega ao Amazon Prime Video nesta sexta-feira.

Protagonistas de cenas que não economizam na violência e no sexo, Karl Urban (Billy Bucther), Antony Starr (Capitão Pátria), Jack Quaid (Hughie), Karen Fukuhara (Kimiko), Jensen Ackles (Soldier Boy), Nathan Mitchell (Noir), Claudia Doumit (Victoria Neuman) e o criador Eric Kripke passam menos de uma semana no Brasil, encerrando uma turnê de divulgação internacional.

Numa das grandiosas salas do hotel Palácio Tangará, na zona sul da capital paulista, onde estão hospedados, eles receberam a imprensa e alguns fãs para mostrar o episódio final e também para fazer um balanço da terceira temporada. Ao se apresentar, Ackles fez uma “sarrada” no palco e disse a única frase que sabia em português, em tom cômico -“vai se foder”.

No dia seguinte, explicou a este jornal que lembrava da frase porque foi ensinada a ele por um amigo brasileiro num outro set de filmagem, anos atrás. E que pensou que ela seria divertida para quebrar o gelo.

Apesar de, àquela altura, os atores terem deixado pouco o hotel, eles disseram estar ansiosos para ver uma partida de futebol e conhecer pontos turísticos como o Beco do Batman. Mas já haviam experimentado um pouco da culinária local, num jantar de 14 tempos em que comeram carneiro, polvo e também formigas.

Para todos, ver a resposta do público brasileiro à sua chegada e à série em si tem sido uma surpresa agradável. Apesar de não revelar dados de audiência, a Amazon diz que o Brasil é, com folga, o segundo principal mercado de “The Boys”, atrás só dos Estados Unidos.

O amor pela série pode ser visto nas redes sociais brasileiras, que a cada semana tem borbulhado com comentários sobre os novos episódios. O que mais causou comoção, até aqui, foi o famigerado “herogasm” -ou “super-suruba”, na versão nacional.

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Nele, o grupo de justiceiros que protagoniza a história aparece numa orgia anual destinada apenas a super-heróis, que usam seus poderes de formas criativas, digamos, para dar prazer uns aos outros. Um personagem, por exemplo, tem um pênis quilométrico. Outro, diminui de tamanho para poder entrar em qualquer orifício. E um terceiro decide aliviar o tesão com um polvo.

“Foi uma loucura. As coisas que eu ouvia as pessoas dizendo ao fundo”, lembra Quaid, que faz o certinho e abobalhado Hughie. “Alguém da produção disse, uma hora, que havia confundido o pote de lubrificante com o de álcool em gel. Outro gritou que deveriam tornar a circuncisão obrigatória. As pessoas estavam muito criativas naquele dia.”

Foto: Reprodução

Para ele e também para o criador e showrunner Eric Kripke, no entanto, o episódio funcionou como um “cavalo de Troia” -ele chamou o público com sexo e nonsense, mas na verdade fez da tal super-suruba o pano de fundo para um dos episódios mais emotivos e importantes da temporada. É nele, por exemplo, que o maléfico Capitão Pátria e o não tão maléfico Billy Butcher se enfrentam na porrada pela primeira vez.

“Eu tenho orgulho de poder dizer que fiz gente chorar no meio de uma orgia”, diz Kripke, que teve coordenadores de intimidade para auxiliar nas cenas apimentadas do episódio. “Eu não passo muito tempo pensando se isso ou aquilo está passando dos limites, eu só penso se a cena vai, de alguma forma, me ajudar a contar algo sobre meus personagens.”

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Outra das cenas da temporada que, com um pouco de esquisitice, ajuda o público a se aprofundar na história de uma das personagens é o número musical em que Kimiko canta “I Got Rhythm”, clássico de George e Ira Gershwin. Para a intérprete da personagem, Karen Fukuhara, que é fã de musicais e, em especial, de “Cantando na Chuva”, esses momentos se destacam porque são inusitados.

“Algumas das melhores cenas da história da televisão vêm do inesperado, e nossa série tem muitas dessas. Filmar o número musical foi um dos melhores dias no set de filmagem, porque eu pude explorar o que a Kimiko queria para seu futuro e havia um clima bom ao redor. Estávamos filmando havia 18 horas, mas todos estavam alegres e se divertindo”, diz ela.

A terceira temporada, aliás, serviu para que os roteiristas se aprofundassem em vários traumas e lembranças de personagens que, até então, eram um mistério. Um deles é Black Noir, que, mudo e sempre escondido atrás de uma máscara, era um verdadeiro enigma para os fãs e seus próprios colegas heroicos.

“Foi muito gratificante mostrar aos fãs mais dele, mostrar o acidente que ele sofreu e que o fez mudar para sempre”, diz Nathan Mitchell, sobre a participação do personagem na Guerra do Vietnã, que termina com seu rosto completamente desfigurado. “Nós pudemos ver que ele é um cara inteligente e ambicioso, mas que tem uma luta interna que o faz se sentir excluído do mundo exterior.”

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Quem pouco teve o que mostrar aos espectadores, porque todos já sabem há muito tempo que é um babaca, foi o Capitão Pátria, moldado a partir do Super-Homem e grande vilão de “The Boys”. Depois de deixar que um avião cheio de passageiros caísse, se aliar a uma nazista, torturar psicológica e fisicamente seus colegas superpoderosos e matar um monte de gente inocente, talvez não haja mais salvação para o personagem. É o que acredita seu intérprete, Antony Starr.

“Não há arco de redenção para ele. O Capitão Pátria tem problemas demais. Eu acho que todos merecem uma segunda chance, mas, nesse caso, ele está além disso. Ele precisa pagar pelo que fez. E acho que qualquer pessoa que não seja um psicopata concordaria comigo.”

“The Boys” já tem uma quarta temporada confirmada, que deve começar a ser gravada em breve. Enquanto isso, Kripke e a Amazon desenvolvem derivados da série, surfando no sucesso deste que é hoje o principal título do Prime Video.

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Um dos spin-offs será “The Boys: Varsity”, trama ambientada numa universidade destinada a super-heróis, e que terá o brasileiro Marco Pigossi como uma de suas estrelas. “Eu não vou contar nada sobre a série”, brinca Kripke, já que os detalhes da produção estão sendo mantidos sob sigilo. “Mas eles estão no meio das gravações, eu já vi algumas das cenas e posso dizer que o Marco está excelente, realmente muito bom, e que é um prazer trabalhar com ele.”

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Segundo o showrunner, ainda há muito espaço para “The Boys” se desmembrar em outras séries e até filmes. É um universo rico, uma sátira que reflete nossa própria realidade, acredita, e por isso pode dar origem a outras narrativas. Fã da Marvel, ele diz que se inspira na habilidade do estúdio de brincar com diferentes gêneros, algo que quer fazer conforme seu universo anti-heroico se expande.








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