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Coluna D

“Festa do Buda” e a comunicação visual e estratégica

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Se você é morador de Brasília, curte a cultura japonesa seja de que forma for, já deve ter ouvido falar pelo menos uma vez da “Quermesse do Templo Budista de Brasília” – conhecida popularmente como “Festa do Buda”. Eu já frequento essa grande celebração há muito tempo. Cheguei a trabalhar na divulgação em três edições seguidas e trago hoje um olhar diferenciado: o da comunicação.

Quem, assim como eu, acompanha todos anos a festa certamente reparou nas mudanças na sua identidade visual. No meu caso, percebi essa “virada de chave” desde quando tudo começou com a empresa Verlindo Inteligência em Comunicação. Por isso hoje vou falar um pouco sobre um tipo de comunicação bem diferente, a feita para um templo e como esse trabalho pode gerar um resultado muito bacana.

Jorge Verlindo, o diretor de arte e de criação da agência acima, conta que começou a trabalhar com o Templo Budista de Brasília em 2012, quando foi procurado para desenvolver um novo site. “Justamente pela construção do processo de comunicação do site, que foi bem-sucedida; tinha muito conteúdo para arregimentar e a gente tinha que entender de budismo; foi um processo de imersão, a monja nos convidou para fazer a Quermesse”.

Começaram a atuar, então, no mesmo ano. Antes disso não havia uma estrutura temática, as artes eram criadas para divulgar a festa de maneira acidental. “Propusemos algumas mudanças; a primeira delas foi começarmos a trabalhar com uma agenda anual, como o CNBB. Então, todo ano eles pensam um tema que está ancorado em algum contexto da sociedade e apostam, apresentam para a gente para que possamos dar uma cara”, comenta Verlindo.

A partir do primeiro processo, diz ele, começou-se a trabalhar em cima do tema; fizeram uma pesquisa profunda de estética japonesa. “Após conceituar o tema que o templo nos propôs, era escoar ele em produtos de forma que a quermesse tivesse toda uma experiência por dentro, tanto do ponto de vista de quem quer desfrutar a gastronomia, curtir música japonesa, tanto para quem tem alguma simpatia pelo budismo e quer começar uma conversa”.

Jorge explica que em 2013 investiram em pesquisa de público. “Aplicamos algumas perguntas para elencar percepções do público com relação ao templo. Então a gente foi entendendo qual era o comportamento do público com relação ao budismo, como é que ele posicionava isso frente às outras religiões ou até à própria religião, que palavras que ele associava com budismo e com o templo budista, qual o grau de entendimento que ele tinha do templo, que tipo de necessidade essa pessoa tinha e isso foi virando base para desenvolver os conceitos dos próximos anos”.

Comunidade presente

Feito isso, começaram a trabalhar um pouco de protagonismo da comunidade nas artes. “Quase todas as peças depois dessa etapa são artes onde a comunidade faz parte do templo. Inclusive o tema deste ano é ‘comunidade presente’, um tema curioso porque todos os pôsteres depois de 2014 são ‘comunidade presente’, que é um dos focos do templo. Um dos focos do budismo é construir comunidade. Todos os anos a gente cria um contexto visual, uma cena onde o budismo é nexo de relações de bem viver, de paz, de convívio entre as pessoas”, destaca Jorge.

Construído o processo de setup de comunicação, o passo seguinte foi evoluir as experiências. Para se ter ideia, do ano passado para cá, Jorge Verlindo e equipe começaram a trabalhar mais os produtos da Quermesse. Desenvolveram produtos para serem vendidos, mas tudo tem uma construção por detrás.  “Uso muito como referência o livro ‘Religião Para Ateus’, do Alain de Botton, em que ele faz uma grande reflexão sobre o papel da religião em pequenos comportamentos, rituais, códigos de conduta do dia a dia. Então, os produtos da Quermesse não foram criados para serem bonitinhos, mas para lembrar às pessoas dos valores budistas”.

Como expandiram o espectro de atuação para audiovisual, neste ano a arte foi pensada de uma forma em que os personagens pudessem aparecer na narrativa de vídeo (criado pela Verlindo Inteligência em Comunicação), divulgado primeiro nas redes sociais e com resultado muito bom. A arte deste ano inclusive derivou de outra construção de conceito. “Fizemos mais pesquisa estética, mas o conceito foi construído em conjunto. Não fomos só nós. Isso é bem mais rico, porque quem está no templo tem uma visão do dia a dia e o conceito deste ano é bem budista”.

Por exemplo, a cena da árvore que nasce da mão do buda é o budismo, ao mesmo tempo em que ela é nutrida pelas pessoas, que cuidam da flor, podam, curtem a árvore e a sua sombra. É uma relação de valor mútuo.

Produtos e experiências

Nesta edição, a comunicação entrou mais na loja. Jorge convidou o Estúdio Mova de arquitetura para desenvolver o projeto, a sinalização e a cenografia. Apostaram numa experiência mais completa, em que a pessoa se depara com uma proposta conceitual na internet, na festa encontra uma cenografia profissional, tem à sua disposição um produto que pode ser levado para casa, tudo com uma mesma identidade, um sentido ancorado no budismo. “Quisemos fazer uma comunicação que não fosse puramente comunicação, mas que fosse um valor que pudesse ser assimilado no cotidiano”, conclui Jorge.

Quer ir ver isso tudo de perto? Então acompanhe o Facebook do Templo Shin Budista de Brasília, o site e não deixe de ir à festa. Programação completa [aqui].


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