Tainá Morais
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Diversas denúncias de clientes relatando o golpe sofrido por uma revendedora de veículos, localizada na Cidade do Automóvel, na Estrutural, fizeram com que o estabelecimento fechasse as portas esta semana. Tudo veio a tona, quando o cliente Jean Costa resolveu fazer uma publicação em uma rede social, onde relatou que havia deixado seu carro no estabelecimento para ser vendido e, após muita enrolação do proprietário, descobriu que o automóvel havia sido batido e acumulava diversas multas adquiridas no período em que ficou na loja. Com isso, mais de dez vítimas apareceram e acionaram o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).
De acordo com o ex-diretor do órgão, Todi Moreno, a empresa havia prejudicado diversas pessoas, o que é considerado grave para o Procon. “Os empresários do ramo estavam revoltados porque o golpe aplicado por essa loja estava sujando a reputação das demais”, informou Moreno. O proprietário da loja, Rubson Medeiros, foi procurado pelo Jornal de Brasília reiteradas vezes, mas não atendeu as ligações. Comerciantes da região garantiram que Medeiros viajou para Salvador nesta terça-feira (21).
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Entenda
Imagine a seguinte situação: você quer vender seu carro, negocia com uma revendedora, leva-o até a loja, e, dias depois de deixar o veículo no estabelecimento, descobre que o mesmo foi batido e possui diversas multas. Isso aconteceu com a vítima do golpe aplicado pela loja V10 Multimarcas.
“Inicialmente, anunciei meu carro em um site de vendas e fui procurado por essa revendedora, dizendo que queria comprá-lo pois já tinha até um comprador em potencial”, contou Jean. Em seguida, Rubson Medeiros, um dos proprietários, teria dito que o cliente, Rodolfo Costa, tinha dado sinal no valor de R$ 41 mil e pediu um prazo de dez dias para fazer a transferência. “mudado a forma de pagamento e que pagaria com uma carta de crédito. “Passado prazo, ele me ligou e disse que o cliente teria mudado a forma de pagamento e que pagaria com uma carta de crédito. Ele pediu então para que eu esperasse mais uma semana, mas o prazo não foi concluído. Depois vi que o meu carro tinha sido batido, algumas peças estavam trocadas e havia seis multas registradas em uma só noite”, desabafou.
Ainda segundo Jean, Rubson afirmou, para se defender, que um cliente teria pegado e carro e gerado as multas. “Ele não pode sair impune deste crime”, disse Jean, indignado. Em uma das notificações registradas na Estrutural, no dia 30 de abril, foi registrado que o veículo trafegava a uma velocidade de 184 km/h, sendo que a máxima permitida é de 80 km/h. “Após várias discussões, Rubson assumiu a batida, mas não quer se responsabilizar pelas multas, que foram registradas na mesma data em que o carro estava na loja”, detalhou.
Rubson alega que entregou o carro para o proprietário em perfeito estado. “Ele está querendo se aproveitar da situação para pegar uma quantia maior, uma vez que o prejuízo que o carro teve não passa de R$ 5mil. Ele não aceita nenhum tipo de acordo, eu proponho e o Jean recusa”, pontuou.
Jean entrou com um processo judicial e registrou um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. Rubson foi indiciado por estelionato e fraude comercial.
O presidente da Associação dos Vendedores de Veículos do Distrito Federal (Agenciauto-DF), Paulo Toli, é responsável por todas as lojas da Cidade do Automóvel e alerta aqueles que gostariam de vender ou comprar um veículo. “Para os consumidores, é melhor procurar carros de alguma loja que seja credenciada à associação, por questão de segurança”, afirmou.
“Comprador em potencial”
O comprador em potencial que Rubson afirmou estar interessado no carro de Jean é o policial militar Rodolfo Costa. Ele havia procurado a revendedora a fim de comprar um carro que viu em uma divulgação. “Quando cheguei no local, acabei desistindo da compra pois descobri que o veículo estava em Patos de Minas. Rubson pediu para que eu assinasse o contrato de compra como condição para trazer o automóvel para Brasília. Achei estranho e deixei pra lá”, contou. No momento em que saía do estabelecimento, Rodolfo viu o carro de Jean e se interessou.
“Fiquei curioso com o veículo e perguntei o valor para o vendedor. Como o carro estava com um preço bom, fiz um teste-drive, uma pequena análise no carro e negociei uma entrada de R$ 41 mil, além de deixar o meu carro no negócio. Fiquei de pegar no dia seguinte”, relatou. No entanto, para a surpresa do policial, ao chegar na loja, entregaram outro veículo para ele.
“Eles me entregaram um carro semelhante ao automóvel que eu havia comprado, mas ele era mais antigo, tinha mais kilometragens acumuladas e o estado de conservação não estava muito bom”, detalhou. O dono da loja o convenceu a ficar com o carro por um dia. “Com o automóvel em mãos, o levei para um mecânico de confiança, que me apontou diversas falhas e peças trocadas”, desabafou Rodolfo.
Após todo o transtorno, o militar foi até o local para devolver o veículo e recuperar o dinheiro que havia dado de entrada. “O vendedor ofereceu outros veículos e, até mesmo, o próprio carro, até que o dinheiro caísse na minha conta. Claro que eu não caí nesse papo furado e comecei a fazer uma pesquisa por conta própria. Foi então que descobri que o carro que havia me interessado, já tinha sido anunciado em diversas outras páginas. Isso é popularmente conhecido como “golpe da segunda venda”, quando um produto é anunciado diversas vezes, usado sempre como isca para ludibriar os compradores”, revelou.
A vítima também registrou Boletim de Ocorrência. “Após chegar na delegacia, vi que eles haviam transferido o dinheiro para a minha conta. Mesmo tendo recuperado o meu dinheiro, eu quero que a Justiça seja feita e que ninguém mais caia nesse golpe”, finalizou.
Um outro caso semelhante ocorreu há cerca de dois meses. O servidor público Wellington Brandão Landin, 35 anos, levou o carro do pai para ser vendido na mesma revendedora. Na ocasião, o veículo foi vendido por R$ 30 mil, segundo consta na documentação do Detran, R$ 5 mil a menos do que o combinado com a agência. Além disso, Wellington e o pai não receberam nada e o caso foi parar na polícia. Após a repercussão, o proprietário da loja resolveu ressarcir a vítima.