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Cidades

Restaurantes agonizam no DF

Fechados há dois meses, alguns estabelecimentos planejam mais demissões. Fritz não resistiu

Lucas Neiva

Publicado

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Desde a chegada do covid-19 no Distrito Federal que os bares e restaurantes de Brasília relatam dificuldade em manter a sua atividade. A perda de clientes em função do isolamento social e das restrições ao atendimento e a dificuldade para se adaptar ao modelo de entregas via delivery fez com que, de acordo com o Sindicato Patronal dos Hotéis, Bares e Restaurantes de Brasília (SINDHOBAR), 360 estabelecimentos fossem obrigados a fechar as portas e ao menos 8870 funcionários perdessem seus empregos.

Jael Antônio Silva, presidente do Sindhobar, afirma que mesmo os restaurantes que conseguiram migrar para o sistema de delivery não estão dando conta de preservar seu fluxo de caixa. “Quem fatura mais hoje fatura cerca de 20% do que faturava antes. Isso é no máximo o valor mínimo para manter o estabelecimento funcionando, porque eles continuam pagando água, continuam pagando aluguel, continuam pagando funcionários”.

A crise atinge desde os restaurantes pequenos e recentemente inaugurados aos mais antigos e tradicionais. Exemplo disso é o restaurante Kawa, localizado na Asa Sul. O estabelecimento era um dos mais renomados na cidade na produção de comida japonesa, contando entre entre seus clientes com autoridades da Embaixada do Japão. Hoje, luta e se reinventa para não fechar as portas.

“Esse restaurante é a realização de um sonho de família. Tínhamos mais de 10 mil clientes fidelizados, mais de 5 mil ao mês antes da pandemia”, narra o proprietário José Afrânio Cabral Rios sobre a situação do restaurante antes da chegada do covid-19.

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A pandemia representou um duro golpe contra o fluxo de caixa do estabelecimento, que no primeiro momento perdeu 70% do seu faturamento. José Afrânio se viu obrigado a utilizar dinheiro pessoal para manter as portas abertas, mas isso não foi suficiente para segurar seus funcionários. “Tivemos que mandar embora metade do quadro e nos adequar ao novo mercado de delivery”, lamenta.

Último pedido

Muitos restaurantes não deram conta da crise, e se viram forçados a fechar as portas. Foi o caso do Fritz, um dos mais antigos estabelecimentos de comida alemã da capital. Fundado em 1977, o restaurante não conseguiu se adaptar ao crescimento do marketing digital. Quando a pandemia chegou, o choque foi forte demais, e as entregas por delivery não foram capazes de manter o estabelecimento.

“Nos últimos dias, recebemos respostas de vários clientes, que fizeram manifestações e campanhas nas mídias sociais para evitar o fechamento. Isso nos motiva a procurar uma forma de recomeçar”, diz Daniel Klingerr, sócio do restaurante. Mesmo que a reabertura um dia ocorra, Daniel diz que teria que ser em outro local e com outro modelo de negócios.

60 mil famílias sem emprego

Até mesmo grandes redes com presença em todo o país estão com dificuldades para sobreviver. O restaurante CocoBambu não corre apenas o risco de ter que abrir mão dos funcionários, mas também da sua própria estrutura física.

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“Cada uma das nossas lojas tem 200 funcionários em Brasília. E a maior parte desse pessoal é equipe de salão: atendimento, bar, gerência, etc. E estava todo mundo em suspensão. O governo federal mantinha o funcionário suspenso e nós pagávamos 30% do salário e o governo os outros 70%. Mas estão todos retornando agora, depois de dois meses. Isso vai gerar um desemprego geral”, declara Eilton Studart, um dos sócios da rede de restaurantes.

Para conseguir arcar com as contas, o Coco Bambu já demitiu 600 funcionários em Brasília, e a previsão é de demitir mais 200 até o fim do mês, restando 200 funcionários distribuídos entre os quatro estabelecimentos.
“Nós conseguimos renegociar dívidas com os fornecedores e reduzir o valor dos aluguéis, mas mesmo com isso e com o delivery, não conseguimos fechar a conta. São restaurantes de 3mil metros quadrados para funcionar apenas o delivery. Se a situação dos restaurantes continuar assim, serão 60 mil famílias que vão perder seus empregos até o fim do mês de julho”, afirma o Eilton.

Saiba Mais

Alguns restaurantes tomaram precauções antes da pandemia para conseguir sobreviver financeiramente ao momento de crise, como o Versão Brasileira, na Asa Sul.

“A nossa administração financeira era bem conservadora. Com isso conseguimos manter a situação mais ou menos normal”, diz o sócio Paulo Paim.

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A cada mês sem funcionar, são três dígitos que vão embora no nosso faturamento”, afirma Paim.


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