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Racionamento: DF poderia ter ficado meses sem água, diz Adasa

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Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

A resolução que determina o fim do racionamento foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal nesta sexta-feira (4). A nova curva de acompanhamento do volume útil do reservatório do Descoberto confirma a previsão de que o menor índice deve ocorrer em novembro, no fim da estiagem, com 21,9% da capacidade. Foi com base nessa estimativa que o governador anunciou a suspensão definitiva do rodízio de abastecimento iniciado em janeiro de 2017. Pelas contas do GDF, a capital poderia ter ficado até seis meses completamente sem água se a medida não tivesse sido implementada.

Conforme o documento da Agência Reguladora de Águas e Saneamento Básico (Adasa), a captação de vazão média mensal do reservatório do Descoberto passará de 3,3 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 4,3 m³/s a partir do dia 15 de junho. Também mudará o acesso aos agricultores. Com o racionamento, eles só podem captar durante a manhã, entre 6h e 9h. Com o fim do rodízio, amplia-se, também, para o período entre 15h e 18h. Apesar de ser o dobro do atual, é metade do que eles tinham acesso antes até 2017.

Leia também: Fim do racionamento: especialistas acham decisão precipitada

“O ano mais complicado foi 2017, quando os afluentes do reservatório apresentaram os piores índices de vazão e pior ano de chuvas da história. Em outubro, também tivemos temperaturas altíssimas. Houve problemas nas obras de integração dos sistemas de abastecimento”, lembrou o presidente da Adasa, Paulo Salles.

Assim, a implementação do racionamento foi inevitável e Salles afirma que isso foi o diferencial para que a capital não ficasse completamente desabastecimento. De acordo com ele, estudos indicam que se não houvesse a contribuição dos agricultores que diminuíram o consumo, seriam quatro meses sem água vinda do Descoberto, que abastece a maior parte da população. Sem a redução da vazão da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) aos consumidores, com o rodízio semanal, seriam seis meses de torneiras completamente vazias na capital.

Gráfico mostra a situação prevista para o volume do reservatório do Descoberto sem racionamento. Foto: Adasa

A decisão do fim do racionamento e como a gestão deve ser feita considera o regime de chuvas, o volume útil do reservatório, as vazões dos afluentes, as captações e as condições meteorológicas. Ainda considera-se as obras da Caesb que permitem a transferência de um reservatório para outro. A água do sistema de Corumbá, ainda com obras em andamento, não foi considerada, segundo Salles.

“Se mantivéssemos o racionamento, o menor índice da bacia seria de 45%. É bom para quem tem condições, mas quem não tem caixa d’água, quem precisa da água para trabalhar, não seria nada bom”, afirma o presidente. O abastecimento, porém, não retorna aos índices anteriores ao rodízio. Naquela época, a vazão mensal do reservatório era de 4,7 metros cúbicos por segundo. Durante o racionamento, era de 3,3 m³/s. Agora, passa a 4,3 m³/s.

“Se voltássemos aos valores anteriores, o volume útil chegaria a abaixo de zero. Não dá para voltar a se consumir o que se consumia para garantir segurança hídrica. Por isso, estamos fazendo outra curva que começa em 15 de junho, mais mais aceitável em relação ao que temos hoje”, sustenta Salles.

https://youtu.be/2OQ7N23aEHs

Saiba mais

Adasa, Caesb, Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) devem se reunir mensalmente para analisar o cumprimento da curva de acompanhamento.

A previsão para a resolução a respeito da bacia do reservatório de Santa Maria deve ser publicada na próxima semana.


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