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Cidades

Pets: não abandone o seu amigo

Associação Protetora dos Animais do DF recebe, em média, dez e-mails por dia com avisos de animais machucados ou atropelados, animais perdidos ou casos de maus tratos, e também auxílio sobre alguma doença animal

Pedro Marra

Publicado

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Mesmo com o início da pandemia do novo coronavírus no Distrito Federal, em março, a Associação Protetora dos Animais do DF (ProAnima) ainda tem recebido uma média de dez e-mails por dia de pessoas que relatam casos de animais machucados ou atropelados, animais perdidos ou pedido de ajuda sobre maus tratos, e auxílio sobre alguma doença animal.

De lá para cá, a ONG sem fins lucrativos constatou que muitos donos também pensam em se desfazer dos bichinhos. Uma das explicações é que eles não têm mais como cuidar do bichinho.

A associação acredita que a maioria das pessoas não está sabendo sabem lidar muito bem com as mudanças na rotina, que afeta também os bichinhos. “Aumentaram os pedidos de devolução. Tem dono querendo se desfazer porque acha que o animal pode transmitir o novo coronavírus para a avó que mora junto com eles. Outra explicação que recebemos muito é sobre situação financeira e casais que se separaram. A grande desculpa é que não têm tempo para cuidar do animal. A gente recebe dez e-mails por dia, mas muitos são animais machucados ou atropelados, animais perdidos ou pedido de ajuda para denúncia de maus tratos. São questões fáceis de resolver. Muitas vezes uma simples orientação pode ajudar a pessoa a desistir de se desfazer do animal. Falamos para contratarem uma pessoa que possa cuidar do cachorro. Mas essas coisas acontecem porque a pessoa está em um momento de desespero mesmo”, afirma Mara Moscoso, diretora-geral da ProAnima.

Mara explica a importância da pessoa respeitar a adoção responsável, que tem cinco etapas para o bem-estar do animal: estar livre de desconforto, com um ambiente adequado para o tipo de animal; não deixar o pet passar fome ou sede; não gerar medo ou estresse no bichinho; dar tratamento veterinário sempre quando preciso; e, por fim, dar espaço suficiente para o animal se comportar naturalmente.

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O planejamento familiar também é importante. Eu que moro sozinha, por exemplo, não incomodo ninguém. Se eu morasse com uma família, teria que ver se todos iriam concordar com a doação do animal. Quem tem animal tem que se planejar quando tiver que viajar ou passar o dia inteiro fora. Quem iria cuidar dele? São as questões dos cuidados do dia a dia do animal. É uma autoavaliação, saber da sua capacidade de criá-lo e do que você pode fazer”, analisa a representante da ONG.

Paciência para educar

Mara fala sobre a questão da mudança de comportamento que o animal também teve nesta pandemia. “Quando você sai um pouquinho, o cachorro já faz um escândalo. O animal muda de comportamento, às vezes faz xixi no lugar errado, faz no tapete. Tenho orientado as pessoas a buscarem um profissional da área. Muitas abandonam os animais por conta de comportamento. Da mesma forma que tem que educar o filho, tem que educar o animal. Não é bater e ser agressivo. É ensinar onde não fazer xixi, dar brinquedo e atenção”, esclarece a diretora da ProAnima.

Doação responsável on-line

Para usar a internet em prol da doação de animais e evitar a aglomeração de um evento presencial, foi criada a campanha Adote um Aubraço do Taguatinga Shopping Solidário, em parceria com o abrigo Toca Segura. De forma totalmente on-line, entre os dias 17 de agosto e 30 de setembro, interessados poderão se candidatar a adotar um cachorrinho que precisa de um lar.

A necessidade de adoção sendo que o Brasil soma mais de 4 milhões de animais vivendo em abrigos, sob tutela de famílias carentes ou em situação de rua. Outros 140 milhões vivem com suas famílias, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB).

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“Nos adaptamos ao momento para oferecer ao público a 1ª edição do Taguatinga Shopping da Feira de Adoção 100% on-line. É uma oportunidade segura de encontrar um novo melhor amigo e adotar um pet sem sair de casa. Desejamos que os cachorrinhos tenham uma chance de ter um lar e carinho mesmo no período delicado que estamos vivendo”, afirma Maíra Garcia, gerente de marketing do Taguatinga Shopping.

Para se inscrever, basta acessar o site. Em seguida, a pessoa é direcionada a uma página onde encontra cards com fotos e descrições de todos os 50 cachorrinhos disponíveis para adoção. Depois de escolher qual adotar, é preciso preencher um formulário com dados pessoais e aguardar o contato do abrigo.

O Toca Segura também fará uma triagem para se certificar que o solicitante tem as devidas condições de adotar o animal. Caso sim, a equipe do abrigo entregará o pet na casa da pessoa.

“Muitas pessoas acham que o animal é a cura”, alerta especialista

Apesar do ato da adoção ser bonito, a administradora do Toca Segura, Monique Eva, explica que há pessoas com o intuito de adotar para curar algum problema pessoal, o que é um erro, segundo ela.

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“E elas se desfazem por qualquer motivo. Seja porque engravidou, vai se mudar, porque não era o que ela esperava ou porque fica doente. Muitas pessoas que adotam cães estão com algum problema seja ele psicológico ou físico, e acham que um animal é a cura deles. Criam uma expectativa sem pensar nas responsabilidades que acarretam uma adoção”, alerta.

Monique é quem fica à cargo de fazer a triagem antes da adoção. “Sou responsável por monitorar todos os cães, entrevistar todos os futuros tutores. Eu que entrego os cães, levo para as consultas veterinárias e fotografo para as redes sociais. Esse questionário é passado antes. Leio, avalio tudo que deve ser esclarecido. Levo o animal até a casa e sinto a energia [do dono e do ambiente]”, explica.

Entre as perguntas do questionário, há uma série de perguntas como: os motivos para adotar o animal; quem vai cuidar dele; se a pessoa tem condições de acrescentar no orçamento os gastos com o pet; qual o tipo da nova moradia do animal; se os membros da família sabem e concordam com a adoção; o que a pessoa fará com o animal ao sair de férias; e quanto tempo ele ficará sozinho no dia a dia, por exemplo. Por fim, é assinado um Termo de Responsabilidade com base na Lei Federal (9605/98), que inclui o crime de maus-tratos.




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