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Operação investiga venda de cirurgias no HRT

Polícia Civil e Ministério Público do DF cumprem mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (5) contra Ruby Lopes, antiga servidora do hospital. Jornal de Brasília expôs o caso em primeira mão em maio deste ano

Willian Matos

Publicado

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Ana Karolline Rodrigues e Willian Matos
[email protected]

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagraram, na manhã desta sexta-feira (5), a Operação In Corruptionen, para cumprir quatro mandados de busca e apreensão contra Ruby Lopes, antiga Supervisora de Emergências do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O esquema de venda de cirurgias e de outros procedimentos médicos em que ela estava envolvida foi apontado em primeira mão pelo Jornal de Brasília em maio deste ano.

Os investigadores da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes Contra a Administração Pública e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (CECOR) começaram a apurar o caso em 2017. Segundo o promotor de Justiça do MPDFT, Cleiton Germano, a operação visa desmantelar o esquema criminoso que pode ser liderado por Ruby Lopes no HRT.

A antiga servidora foi exonerada no dia 27 de maio deste ano, após o Jornal de Brasília expor os áudios que apontam Ruby negociando cirurgia com um paciente. A exoneração foi anunciada pelo governador em exercício do Distrito Federal, Paco Britto, e publicada em edição extra no Diário Oficial do DF (DODF).

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“Ela se utilizava do serviço que ela prestava lá para ter acesso aos pacientes e cobrar deles dinheiro para a realização de procedimentos que estavam aguardando, em virtude da precariedade, da dificuldade do serviço. Às vezes, as pessoas ficam aguardando muito tempo e ela, então, prometia a essas pessoas adiantar ou colocá-las na frente para que os procedimentos, as cirurgias, fossem realizados à custa de vantagem indevida”, explicou.

O promotor ainda destacou que outros servidores que possam estar envolvidos no esquema, serão alcançados pela Justiça em virtude dos crimes praticados. “É muito importante, relevante que se diga que essas pessoas que estão praticando irregularidades no âmbito da Secretaria de Saúde são alcançáveis pelo sistema de Justiça criminal, pelo Ministério Público, pela polícia.

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Ruby foi exonerada após as denúncias virem à tona. Jornal de Brasília divulgou em primeira mão. Foto: arquivo pessoal

De acordo com ele, as investigações estavam ocorrendo de forma sigilosa até então. Agora, a operação deve se expandir para buscar identificar outros envolvidos no esquema irregular. “Vamos para uma fase ostensiva, vamos ouvir algumas pessoas ainda. É possível que a investigação se expanda para alcançar outras pessoas que ainda não foram identificadas, de tal maneira que nosso trabalho só está começando”, disse.

Clayton Germano lembra ainda que o juiz da 2ª Vara Criminal de Taguatinga, Wagno Antonio de Souza, a pedido do MPDFT, deferiu medidas diversas cautelares da prisão de Ruby Lopes, o que significa que ela terá de pagar fiança de 10 salários mínimos (cerca de R$ 9.800,00), além de estar proibida de frequentar qualquer repartição da Secretaria de Saúde, a não ser que precise de socorro médico. A antiga servidora também não poderá se comunicar com qualquer pessoa relacionada às investigações. “Se ela descumprir essas medidas, ela pode ser presa”, destacou o promotor.

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Conforme informou o delegado Leonardo de Castro, da Cecor, a polícia encontrou, em meio às apurações, documentos que trazem indícios dos crimes cometidos por Ruby Lopes. “Nas buscas dos apartamentos foram encontrados blocos de receituários, de atestados médicos, atestados de comparecimento com o timbre da Secretaria de Saúde, o que corrobora com a suspeita de que além da venda de cirurgias, ela também praticava a venda de atestados médicos e receitas de medicamentos. Também foram encontrados quatro carimbos de médicos. Nessa segunda fase da investigação, a partir de agora, vamos apurar o envolvimento de outras pessoas”, relatou.

De acordo com o delegado, as suspeitas são de que Ruby tenha cometido os crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e falsificação de documento público. Além disso, com o desenrolar da investigação, a polícia também acredita que possam ser identificados os crimes de associação criminosa ou de organização criminosa.

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“Ela tinha muita entrada no Hospital Regional de Taguatinga. Trabalhou lá durante um grande período, tendo voltado agora no início de 2019 e permanecido até o mês de maio, quando o caso foi divulgado pela imprensa. Então, ela conhecia muitas pessoas no hospital e analisava a situação dos pacientes, a fragilidade e o poder financeiro dos pacientes, e ela mesma os abordava e fazia a oferta”, descreveu.

O delegado ressalta que a PCDF ainda busca ouvir vítimas do esquema criminoso no momento e destaca que estas pessoas não responderão por quaisquer crimes.

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Relembre o caso

A enfermeira Ruby Lopes é investigada por vender cirurgias no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) enquanto ocupava o cargo de Supervisora de Emergências. Áudios obtidos com exclusividade pelo Jornal de Brasília mostraram, em maio deste ano, Ruby negociando materiais para um procedimento cirúrgico por R$ 350,00.

Nas gravações, a supervisora pressiona o paciente dizendo que valor cobrado seria apenas para pagar os instrumentos cirúrgicos, e que um suposto representante destes materiais estaria com ela naquele momento aguardando pelo valor. Procurada, Ruby assumiu intermediar cirurgias em hospitais particulares, mas nega negociações no HRT. No Brasil, onde existe o Sistema Único de Saúde (SUS) desde a Constituição de 1988, a saúde pública é totalmente gratuita, sendo proibido cobrar por qualquer procedimento.

Exonerações

Ao Jornal de Brasília, uma fonte sigilosa informou que Ruby já foi exonerada do cargo no HRT pelo menos três vezes. Procurada pela reportagem e questionada quanto a estas exonerações, ela inicialmente negou. Durante a entrevista, porém, disse que trabalhava como servidora pública no local há dez anos e que “sempre que muda de deputado, ele exonera todo mundo do cargo, porque é cargo comissionado”.

Ainda segundo ela, os motivos das exonerações passadas decorreram de “fofoca” e da tentativa de alguns servidores que estariam querendo derrubá-la. “Fui exonerada, mas não foi sobre isso [vendas de cirurgias], foi fofoca, o povo com inveja fica fazendo fofoca”, afirmou. “Eu conheço muita gente que quer me derrubar”, completou.

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Ouça os áudios novamente:

Leia também: Vítima denuncia servidora em outro caso de venda de cirurgia no HRT




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