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Nesta terra centenária, o sonho de Brasília nasceu

Planaltina, onde se encontra o marco fundamental que inaugura o DF, completa hoje 161 anos

Olavo David Neto

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Planaltina é um marco no história de Brasília

Por causa da pandemia, as comemorações do aniversário da cidade não serão públicas, apenas on-line

Uma das cidades que militou e permitiu a construção de Brasília completa 161 anos hoje. Surgida do desmembramento de Formosa do Arraial Mestre D’Armas, em 1811, o núcleo urbano tomou forma jurídica em 1859, e contribuiu como base, referência e fonte de mão de obra para os diversos estudos realizados sobretudo após a Proclamação da República, em 1889, quando a ideia de mudança da capital ganhou força e status constitucional, com a primeira Carta Magna do Brasil, datada de 1891.

Lar para cerca de 200 mil habitantes, a Região Administrativa mais antiga do Distrito Federal sofre atualmente os efeitos da pandemia do novo coronavírus, e até o fechamento desta reportagem 4.954 pessoas foram contaminadas no centro urbano. São 101 óbitos na RA. Assim como Brasília, que completou 60 anos em abril, Planaltina não terá comemorações públicas. “Esse aniversário precisou ser diferente, mas não menos especial. Ao invés de festa, estamos cuidando da cidade”, diz o administrador regional Célio Rodrigues.

Algumas iniciativas digitais foram programadas e coordenadas pelo historiador e professor Robson Eleuterio, como uma transmissão ao vivo às 17h, no canal Cultura Cerratense, do Youtube, com direito a lançamento do livro História de Planaltina em Documentos, do próprio docente. “Estes livros serão doados à rede de ensino pública de Planaltina, pois a comunidade tem de conhecer e tomar como seu o patrimônio da cidade”, comenta Eleuterio, autor da obra.

Ainda haverá, entre hoje e 7 de setembro, uma reunião com artistas e pesquisadores da História Local no Morro do Centenário, que abriga a Pedra Fundamental da RA. Inaugurado no centenário da Independência, o obelisco local representava a futura construção da capital República em algum ponto do Planalto Central, como mandava a Constituição de 1891. Erigida graças aos esforços do parlamentar Americano do Brazil, a edificação trouxe novo fôlego ao movimento de mudança da sede do poder nacional para o interior goiano.

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A briga por uma capital

A aventura mudancista em Planaltina começou com a Proclamação da República. A nova forma de governo precisava de uma Constituição, e esta veio em 1891, trazendo em seus artigo 3º o projeto de construção da nova capital do país num perímetro de 14.400 quilômetros quadrados do Planalto Central. Com o dispositivo na Carta Magna, era necessário reconhecer a área que seria utilizada como sede para os prédios mais importantes do país.

Porto seguro na construção

Para fazer cumprir o texto maior da legislação brasileira, Floriano Peixoto enviou ao Planalto Central a Missão Cruls, capitaneada e batizada pelo astrônomo belga – e naturalizado brasileiro — Luís Cruls. “Eles vieram em 1892 e se perguntaram qual era o verdadeiro Planalto Central”, comenta o historiador e professor Robson Eleuterio. “Para se localizar no Cerrado, a missão contrata Viriato de Castro, morador de Planaltina”, explica.

E descobre naquela região os motivos que justificam a mudança de uma capital. “Foram eles que demarcaram o fenômeno das Águas Emendadas, que são as nascentes das três maiores bacias do continente [do Amazonas, do São Francisco e do Paraná, que deságua no Rio da Prata], além de avaliarem os aspectos do solo e do clima”, argumenta o professor Robson Eleuterio. A partir de então, outras quatro missões foram formadas, todas passando por Planaltina para efeitos de estudo.

Contratada para delimitar o terreno demarcado por Cruls, a empresa norte-americana Donald J. Belcher dividiu o Quadrilátero Cruls em sítios, escolhendo como ideal o Castanho, onde atualmente é o Cruzeiro. Era a Fazenda Bananal, parte de Planaltina que foi desapropriada pela prefeitura local. “Esse processo foi crucial para a construção de Brasília, pois deu o terreno que hoje comporta o Plano Piloto”, aponta Eleuterio.

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Em 1956, com a Mensagem de Anápolis devidamente aprovada no Congresso Nacional, Juscelino Kubitschek conseguira emplacar a maior promessa de sua campanha. Já em outubro daquele ano as primeiras máquinas singravam o Cerrado para pavimentar o terreno de uma futura capital. Sem civilização por perto, a única cidade nos arredores era justamente Planaltina, que serviu de base para serviços e comércio aos candangos que vieram edificar o sonho de JK.

Hoje, a cidade que auxiliou a construção de Brasília é parte do Distrito Federal, batizada como Região Administrativa VI. Em tempos normais, encaminha diariamente cerca de 40% de sua população ativa economicamente para as asas da capital da República. Como o monumento, mostra-se como pedra fundamental não só para a construção, mas para a manutenção da mais recente capital brasileira.




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