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Cidades

Mulher esfaqueada por ex-companheiro é a quarta vítima em uma semana

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Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Ciúme. Essa foi a justificativa dada por um homem após esfaquear a ex-companheira em uma festa no Recanto das Emas, no fim de semana. A mulher, de 37 anos, sofreu perfurações no pescoço, ombro e cabeça e está internada no Hospital Regional de Taguatinga. Esse foi o quarto caso, em uma semana, de violência contra mulher. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam uma média de quase 40 vítimas diárias de feminicídio tentado ou consumado e violência doméstica no DF.

De janeiro a setembro de 2017, último mês com dados disponibilizados, houve 10.810 casos de violência doméstica, 14 de feminicídio e 49 tentativas de homicídio contra mulheres. A média é de 1.208 agressões mensais ou 39 casos diários. O último caso, do Recanto das Emas, foi tipificado na 27ª Delegacia de Polícia como lesão corporal, Lei Maria da Penha e tentativa de feminicídio. Casos de violência contra a mulher são tratados com sigilo.

Segundo a Polícia Militar, após detido, o agressor afirmou que esfaqueou a ex-esposa por ciúmes. A vítima teria virado as costas quando ele tentava falar com ela. A mulher está em outro relacionamento há um mês e tem cinco filhos, sendo dois com ele. A Secretaria de Saúde não deu informações sobre o quadro da paciente.

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Preso na rua

A vítima foi encontrada por policiais militares do Grupo Tático Operacional do 28º Batalhão a caminho da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). De acordo com o sargento Nogueira, jorrava muito sangue dos ferimentos. As buscas pelo autor começaram após familiares indicarem a identidade dele.

O homem foi preso a menos de dois quilômetros do local do crime, na rua, recebendo atendimento do Corpo de Bombeiros. Ele estava com um corte profundo nas costas, onde foram necessários 45 pontos, além de cortes superficiais na costela e no peito.
O suspeito acusou o atual namorado da mulher, mas, após depoimentos, constatou-se que ele foi agredido por populares que presenciaram o ataque a ela. Um policial militar acompanhou a ambulância até o HRT, onde o suspeito foi atendido e depois levado à delegacia. A investigação continua e as facas usadas no crime não foram encontradas.

Motivações

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Fúria. Uma semana antes, Anne Mickaelly, 22 anos, foi vítima de feminicídio. Ela foi morta a facadas em Samambaia Sul por um vizinho, de 46 anos, que alegou estado de fúria. O acusado se apresentou à polícia quatro dias depois e foi liberado após prestar depoimento. Ao confessar o crime, ele contou que partiu para cima da jovem com a faca usada para cortar carnes dos churrasquinhos que vende.

Acidente ou ciúme? Palloma Lima morreu aos 18 anos com um tiro na cabeça disparado pelo namorado há uma semana, no Gama. Em depoimento, ele alegou acidente durante uma roleta-russa, mas a polícia não confirma a versão. A mãe da vítima desconfia que o homicídio tenha sido motivado por ciúme. O suspeito e o comparsa estão presos e responderão por homicídio qualificado.

Fim do relacionamento. O corpo de Clésia Andrade, 28, foi encontrado com marca de tiro na nuca dentro de casa em São Sebastião ao lado do namorado, o cabo da PM Bruno Viana, 38. A principal suspeita da polícia é que ele tenha matado a jovem e, em seguida, cometido suicídio. Testemunhas ouvidas pelo JBr. apontaram que o homem não teria aceitado o fim do relacionamento de dois anos. Semanas antes, a estudante havia pedido uma medida protetiva contra o ex.

“Coragem ou loucura”

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Ieda Rizzo não foi vítima de violência doméstica, mas também foi uma mulher que quase perdeu a vida na semana passada. A psicóloga de 54 anos foi baleada na 408 Sul há uma semana. “Um homem invadiu meu carro e me disse ‘passe para o outro lado, eu vou assaltar, te estuprar e depois te matar!”, disse a vítima, em mensagem encaminhada a familiares e amigos.

Servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ela falou em “ato de coragem ou loucura” ao reagir e explicou o caminho do disparo: “Todos os médicos estão boquiabertos com o milagre. A bala entrou pelo meu coração a um milímetro da aorta, fez uma manobra divina e saiu pelo pulmão!”.

Ieda foi atendida nos primeiros dias no Hospital de Base, mas agora se recupera internada na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital particular. Enquanto isso, a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) investiga o caso, tratado como tentativa de latrocínio – roubo seguido de morte. Imagens do suspeito, flagrado por câmeras de segurança, foram divulgadas para tentar identificá-lo. No entanto, até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.

Saiba mais

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Feminicídio passou a constar no Código Penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio com a Lei 13.140, aprovada em 2015. A mudança incluiu os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima no rol dos crimes hediondos, o que aumenta a pena de um terço até a metade da determinada ao autor do crime.




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