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Mudança de gestão causa rebuliço no Dulcina

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Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br

O berço da arte brasiliense tomou um susto ontem. Sem nenhum aviso prévio, funcionários e estudantes da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), responsável pelo Teatro Dulcina e pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, localizados no Conic, foram pegos de surpresa com a nomeação da advogada Vanessa Daniella Pimenta Ribeiro para assumir a administração do complexo. A nova dirigente seria uma das delatoras da Operação Acrônimo, que investigou desvio de dinheiro público e financiamento ilegal de campanha do PT – o que incomodou (e muito) a classe artística da capital.

O histórico da advogada agravou o impacto da notícia do afastamento dos ex-administradores Marco Antônio Schmitt Hannes e Luiz Francisco de Sousa. A decisão foi tomada pela 7ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do DF. Ambos haviam sido nomeados provisoriamente em 2013, após ação do Ministério Público (MPDTF) que apontava irregularidades na conduta do então presidente José Maria Bezerra.

"Os dois fizeram um trabalho brilhante na instituição”, defende Julie. Foto: Myke Sena

“Os dois fizeram um trabalho brilhante na instituição”, defende Julie. Foto: Myke Sena

“Os dois fizeram um trabalho brilhante na instituição e em conjunto com a comunidade. Desde que assumiram o posto, a fundação veio em uma crescente animadora. Tínhamos muitas dívidas que foram pagas, e espaços, revitalizados. Vale ressaltar a reconciliação com os artistas, que vinham de dez anos de puro abandono”, relatou Julie Wetzel, uma das líderes do Movimento Dulcina Vive.

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  • Criada em 1955, a Fundação Brasileira de Teatro conta com aproximadamente 200 alunos e 20 professores. Além de dois anfiteatros e seis camarins, tem ainda vários andares de salas de aula e espaços livres para eventos e dinâmicas práticas. Em 30 dias, a comunidade acadêmica deve indicar a composição de um Conselho de Curadores. O estatuto da entidade prevê que a administração se dê por meio da atuação do Conselho de Curadores, Conselho Fiscal e da Presidência, contando ainda com uma Secretaria Executiva.

Segundo ela, a classe teme perder o legado que foi construído nos últimos três anos e meio. “Para começar, a notícia que recebemos hoje (ontem) não teve nenhum espaço para discussão. Fomos surpreendidos. Não sabemos quem é a pessoa que vai assumir nem qual o vínculo dela com a fundação. Também não sabemos o motivo dessa mudança, mas estamos apreensivos com as possíveis consequências”, completou.

Julie alertou que haverá uma resposta dos funcionários e alunos ao afastamento dos ex-gestores. “Temos várias frentes, inclusive judiciais. Não vamos parar as atividades culturais e acadêmicas que compõem o calendário deste ano”, acrescentou. Quanto ao fato de Vanessa Daniella Pimenta Ribeiro estar envolvida em uma operação da Polícia Federal, a líder no Dulcina Vive preferiu não comentar. “Soubemos por alto o histórico dela”, argumentou.

Obrigações teriam sido descumpridas

Para o Ministério Público, a dupla antiga de administradores descumpriu a função, deixando de entregar relatórios exigidos e o plano prévio de administração. O JBr. não conseguiu falar com Vanessa Daniella até o fechamento desta edição. Ao portal de notícias Metrópoles, a nova supervisora disse que cumprirá a função até o chamamento público dos interessados ao cargo – cerca de dois meses.

Ela afirmou que não foi indiciada no âmbito da Operação Acrônimo. “Eu trabalhava como secretária do Benedito (Rodrigues de Oliveira Neto)”, informou. O empresário, dono da Gráfica Brasil, é apontado como pivô de um esquema de desvio de dinheiro público e financiamento ilegal de campanha, entre elas a de Fernando Pimentel (PT-MG) e de Dilma Rousseff.

O GDF orientou a reportagem a procurar a Justiça, alegando não ter responsabilidade sobre o assunto, apesar de que, em 2013, decidiu tornar pública a Faculdade de Artes. A medida isenta o GDF das dívidas, mas o obriga a garantir a formação dos estudantes.

 


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