Jéssica Antunes
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Algmar Romualdo dos Santos tinha 44 anos. Ele voltava para casa depois de um dia de trabalho em Samambaia quando um carro o atingiu de frente e o matou na Elmo Serejo, em Taguatinga. A via não era de mão dupla. Do outro lado estava um jovem embriagado de 21 anos, que não deveria estar no comando de um veículo, mas invadiu a pista contrária, infingiu a Lei Seca e vitimou um pai de família.
A vítima era dona de uma pizzaria e morreu no local do crime. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, ele já não tinha vida. A esposa, que o acompanhava, sofreu uma fratura na perna esquerda e foi internada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). “Mais uma vítima de assassinos embriagados. Dessa vez foi na minha família, um pai de família, um cara trabalhador, honesto, cheio de amigos e que, acima de tudo, amava e vivia a vida”, lamentou uma prima de Algmar no Facebook.
O teste do bafômetro do condutor apontou índice de álcool de 0,63 mg/l de ar expelido, quase o dobro do limite, e ele recebeu voz de prisão no hospital, onde também recebeu atendimento. Nas redes sociais, o suspeito exibe uma imagem com o velocímetro acima de 190 km/h por hora, postada há exatamente um ano.

Foto: Reprodução/Facebook
QUASE 40 POR DIA
De janeiro e abril deste ano, o Departamento de Trânsito (Detran) autuou 4.434 condutores por alcoolemia, o equivalente a quase 37 notificações por dia. Desses casos, 652 cometeram crime e foram levados à delegacia. O flagrante ocorre quando o motorista está muito exaltado, envolvido em acidente ou com taxa de álcool no sangue superior a 0,34 mg por litro. Apenas entre sexta-feira e a madrugada de ontem, 57 motoristas alcoolizados foram multados, e dois, presos.
Prisões em flagrante aumentaram
O número de autuações relativas à Lei Seca reduziu 4,41% no primeiro quadrimestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano anterior: passou de 4.639 para 4.434, conforme as estatísticas do Detran- DF. Isso não quer dizer, porém, que há mais prudência. Naquele mesmo intervalo, as prisões em flagrante passaram de 522 para 612, um crescimento de 6,53%.
“As pessoas têm de entender que o problema não é que a polícia pode pegar, que a blitz pode parar ou que a multa é alta, mas que essa atitude mata”, alerta Paulo César Marques, especialista em transporte. Com multas altas e punições que vão desde a retenção da carteira de habilitação até a prisão, ele crê que faltam campanhas mais agressivas que afetem o emocional das pessoas.
“É difícil porque se trata de uma mudança cultural. Mais rigor na fiscalização funciona em parte, mas são necessárias campanhas que constranjam quem ainda toma essa atitude, torná-la socialmente condenável. Saber que é errado já sabem”, opina.
PENALIDADES
As penalidades para condutores sob efeito do álcool estão previstas no Código de Trânsito Brasileiro. A infração é considerada gravíssima e a multa é de R$ 1.915,54, além da suspensão do direito de dirigir por um ano. O documento de habilitação é recolhido, e o veículo, retido. Em caso de reincidência no intervalo de 12 meses, a multa é dobrada.
Saiba mais
De acordo com o relatório global da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre álcool e saúde, o Brasil é um dos 25 países do mundo que já estabeleceram a tolerância zero para o consumo de bebida alcoólica por parte de motoristas.
Ainda conforme a OMS, o Brasil também é uma das 130 nações que utilizam o teste do bafômetro como forma de garantia do cumprimento da legislação.
Memória
No dia 21 do mês passado, duas pessoas morreram vítimas de motoristas alcoolizados. Durante a madrugada, quem perdeu a vida foi um vendedor de lanches, atropelado no Eixo Monumental. O condutor foi preso e autuado por homicídio culposo com embriaguez ao volante com 0,8 mg de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões, mas pagou fiança de R$ 8 mil e foi liberado.
Mais tarde, a imprudência tirou a vida de um serralheiro de 47 anos. Embriagado, com índice de 0,68 mg/l de álcool por litro de ar, o motorista de 36 anos tentou fazer uma ultrapassagem perigosa pelo acostamento da BR-070 e o atingiu.