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Brasília

Em depoimento, testemunha-chave afirma que motoristas faziam racha na L4 Sul

Arquivo Geral

02/05/2017 21h42

Myke Sena

A 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) ouviu hoje uma testemunha-chave da colisão que resultou na morte de duas pessoas na noite do último domingo (30). De acordo com o depoimento, os motoristas que causaram a tragédia estavam em alta velocidade e disputavam um racha, ao contrário da versão dada pelos acusados.

Segundo a polícia, a testemunha relatou que chegou a flagrar o momento em que o Volksvagen Jetta, conduzido por Eraldo José Cavalcante Pereira, de 34 anos, e a Land Rover Evoque, conduzida pelo sargento dos bombeiros Noé Albuquerque Oliveira, 42, pararam em um retorno, interditando a via, momentos antes de seguirem em alta velocidade. Ela contou que eles faziam manobras perigosas e estima que estavam a aproximadamente 150km/h.

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O agente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que atendeu a ocorrência foi ouvido oficialmente hoje pela polícia. Ele confirmou que o sargento do Corpo de Bombeiros apresentava sinais de embriaguez. Conforme o depoimento do agente, Noé estaria com a fala embaralhada, olhos avermelhados e hálito de bebida.

Diante dos relatos, a Polícia Civil afirmou que já trabalha no indiciamento dos envolvidos, mas ainda não há definição sobre quais crimes eles deverão responder. Nesta quarta (3), novas testemunhas deverão ser ouvidas.

Suspeitos negam racha

A Polícia Civil ouviu na tarde dessa segunda-feira (1º) os dois motoristas envolvidos envolvidos na tragédia. Eraldo José Cavalcante Pereira se apresentou durante a tarde na 1ª DP. Ele conduzia o Volksvagen Jetta que bateu no Ford Fiesta, onde estavam as vítimas. Após o acidente, ele fugiu sem prestar socorro às vítimas.

Em seu depoimento, que durou cerca de uma hora e quarenta minutos, ele negou que tivesse participando de racha. Eraldo também negou que estava dirigindo em alta velocidade e sob efeito de álcool. Disse, ainda, ter fugido do local, a pé pela L2 sul, por ter ficado assustado com a situação. Segundo sua versão do acidente, ele dirigia na faixa do meio da via quando decidiu mudar para a da esquerda e, por um erro de cálculo, acabou colidindo na lateral traseira do Fiesta.

Versão oficial

Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do DF informou que “a corporação não compactua com ações que estejam em desacordo com as leis e a ordem, sempre agindo em prol da vida e a proteção de bens”. Os bombeiros informaram, ainda, que um procedimento apuratório interno já está em andamento, para apurar as responsabilidades do possível envolvimento de bombeiro militar no acidente. “Caso seja confirmada a participação, o militar será responsabilizado de acordo com as leis vigentes, podendo sofrer sansões disciplinares e administrativas”.

Mais cedo, o sargento do Corpo Militar de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) Noé Albuquerque Oliveira também prestou esclarecimentos. Em sua defesa, ele também negou que estivesse fazendo “pega” e informou que eles voltavam de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá.

Ainda em seu depoimento, o bombeiro disse ter ingerido uma “latinha” de cerveja, mas alegou que não chegou a fazer o teste do bafômetro porque o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) não disponibilizava do equipamento no momento. Ainda segundo o delegado, a polícia deverá entrar em contato com os participantes da festa para saber se houve consumo de bebidas alcoólicas.

Segundo o sargento, ele estava na velocidade da via de 80km/h, a uma distância de 300m do carro que se envolveu no acidente. Ele contou que chegou a prestar socorro, mas precisou sair para levar a esposa ao hospital, que teria ficado ferida no acidente.

Entenda o caso

Na noite desse domingo (30) três carros suspeitos de participarem de um racha provocaram um grave acidente na Avenida L4 Sul. O motorista do Jetta bateu na traseira do Ford Fiesta em que uma família retornava de um passeio dominical. Com a batida, o carro atingido perdeu o controle, saiu da pista e capotou diversas vezes. Cleusa Maria Cayres, 69 anos, e Ricardo Clemente Cayres, 46, morrem no local. Os outros dois ocupantes do veículo foram encaminhados ao Hospital de Base.

Outro veículo ocupado por parte do grupo, um Chevrolet Cruze, também foi atingido durante o acidente e tinha um amassado na lateral. O carro foi estacionado a cerca de 200 metros do acidente, com três mulheres dentro. A motorista se apresentou como irmã do condutor do Evoque e se recusou a soprar o bafômetro, mas permaneceu no local durante a ação policial. Ela foi foi ouvida ainda na noite de ontem. A polícia não deu detalhes sobre o que ela teria dito.

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