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Donos de restaurantes atingidos por viaduto terão espaço para reabrir estabelecimentos

Publicado

em

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Os donos dos restaurantes atingidos pela queda do viaduto do Eixão Sul, há 22 dias, podem ter um espaço na Rodoviária do Plano Piloto para reabrir os estabelecimentos. Se tudo der certo, no prazo de uma semana, eles terão um espaço de 23 metros para retomar as atividades comerciais que empregam diretamente mais de 30 famílias. Na manhã desta quinta-feira (27), os proprietários foram recebidos pelo governo.

Os envolvidos foram chamados pela Secretaria da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais do Governo do Distrito Federal. A reunião foi o primeiro encontro dos comerciantes com o secretário da pasta, Sérgio Sampaio, e com a procuradora-geral do Distrito Federal, Paola Aires, após a tragédia para discutir as medidas que devem ser tomadas.

O prejuízo com desabamento e o lucro diário dos estabelecimentos serão discutidos. Em vez de entrar na Justiça comum, o governo e os proprietários vão acionar uma câmara de conciliação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, e o pagamento será feito por reconhecimento de dívida, em vez de precatórios. O governo deve depositar o valor da indenização diretamente na conta dos proprietários.

“Esperamos reparar os danos no menor espaço de tempo possível. No caso, há uma situação peculiar em que os envolvidos estão impedidos de desenvolver o serviço. Vamos levar em consideração tanto o prejuízo quanto o lucro cessante”, afirmou Sérgio Sampaio. A promessa é de que os grupos sejam realocados, em cerca de uma semana, possivelmente na Rodoviária do Plano Piloto, por onde mais de 800 mil pessoas passam diariamente.

Apesar de os restaurantes estarem fechados, a necessidade de pagar os salários dos trabalhadores é alvo de preocupação e a questão é acompanhada pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), que representa a categoria.

Breno Esaki/Jornal de Brasília

Conciliação com motoristas

Os motoristas dos veículos danificados pela queda da estrutura passaram por reunião similar em 16 de fevereiro e está marcada para sexta-feira (2) a primeira câmara de conciliação. Os proprietários de cinco automóveis fizeram ocorrência na delegacia. Quatro ainda estavam sob os escombros e foram retirados no último fim de semana.

A pior situação foi a de uma caminhonete que ficou completamente destruída. Era a Toyota/Hilux do bancário Lindembergue Igor, de 50 anos. Morador de Taguatinga, ele almoçava quando a estrutura desabou e uma mudança de rotina salvou sua vida. “Eu estava ali quatro ou cinco minutos antes de cair”, contou ao Jornal de Brasília. Só o carro é avaliado em R$ 110.

“Foi um susto muito grande durante todo o processo, mas tive uma espécie de alívio ao ver a vida tomando curso. Vi o carro naquele estado após cair a peça muito pesada e fatalidade sem tamanho. Embaixo daquele viaduto estudei para concurso, fiz curso de inglês, jogava dominó. São 12 anos de histórias”, diz o bancário.

O GDF vai indenizar os proprietários dos cinco automóveis soterrados. Os valores serão definidos em audiências de conciliação. Os envolvidos também poderão pedir reembolso dos gastos referentes a transporte e outros transtornos causados durante o período em que seus carros estiverem sob os escombros. O ressarcimento deve sair em até um mês.

“Pagar a tabela Fipe não é mais que a obrigação do GDF. A própria seguradora já tinha se prestado a pagar isso. Se o governo falar em precatório estou fora, quero crédito em conta”, afirma a vítima do desmoronamento.

Laudo técnico sai nesta semana

Uma comissão técnica formada por representantes do GDF, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF) e da Universidade de Brasília (UNB) devem apresentar o projeto sobre o que será feito no viaduto nesta semana.

A comissão trabalha com três hipóteses: reconstruir a parte caída e reforçar as demais; não demolir a área central que desmoronou, mas reforçar toda a região; demolição completa com posterior reconstrução.

Após a recomendação, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) ainda precisa avaliar questões como custo-benefício, segurança e tempo necessário. Não há previsão para início ou término das obras.


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