Menu
Brasília

Direitos LGBTS: Educação e trabalho ainda são limitados

Arquivo Geral

01/07/2016 6h15

Atualizada 04/07/2016 14h35

Arquivo pessoal/Facebook

Douver Barros
douver.barros@jornaldebrasilia.com.br

O acesso à educação e ao emprego formal ainda é um desafio enfrentado por travestis e transexuais. O estigma e a falta de informação são alguns dos principais entraves para conquista de direitos desses indivíduos. “Somos um segmento da sociedade negligenciado pelas políticas públicas, cujo dia a dia é assinalado por discriminação, exclusão e violência, que influenciam na construção e formação da própria identidade”, avalia a secretária de comunicação da Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (RedeTrans), Sayonara Nogueira.

Leia mais: Direitos LGBTS: Ausência de diálogo familiar é uma das primeiras barreiras

Vítimas de violência física e psicológica, homossexuais cobram regulamentação de legislação

“São poucas as travestis e transexuais que possuem o Ensino Fundamental completo. As políticas públicas ainda são escassas e demonstram o quanto o Brasil ainda necessita avançar no respeito aos direitos fundamentais dessa população da qual faço parte”, acrescenta Sayonara. “O uso do nome social não diminui a transfobia que existe no nosso País, e continuamos sendo assassinadas, expulsas de nossas casas, humilhadas na escola e afastadas do mercado de trabalho”.

Medo superado

Ludymilla Santiago, 33 anos, assessora técnica de diretoria de articulação de redes sociais da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), não teve apoio da família em sua transição de identidade, que ocorreu depois de concluir o curso de Publicidade e Propaganda, em 2008. Além de o fato dessa percepção manifestar-se em fases distintas da vida de cada indivíduo, o medo da expulsão de casa também foi responsável pelo adiamento de sua readequação sexual.

A falta de apoio e a desinformação foram usadas por Ludymilla como um impulso para a conquista de seus objetivos. “Hoje, trabalho no serviço público e sem indicação política. Estou lá porque entendem que eu sou qualificada para o cargo. Já tive várias conquistas no decorrer da vida, mas reconheço ser uma questão de oportunidades que, infelizmente, nem todos têm”, diz.

“O mercado privado é mais fechado. Já tentei entrar. Era bem cotada na avaliação de currículo, mas a coisa mudava quando me viam”, lamenta a publicitária.

Destino definido por estigmas

A publicitária Ludymilla Santiago ressalta que, pela falta de oportunidades para transexuais e travestis, não sobram alternativas a não ser seguir por áreas da beleza ou ganhar a vida com a prostituição, cujo caminho é marcado por martírio. “A cultura de massa diz qual o mercado ideal só pelos seus trejeitos. Estudar também é um sonho roubado. É errado falar em evasão escolar, já que a escola não está preparada para nos acolher”.

A cantora Lady Gaga coordena a fundação Born This Way, que auxilia vítimas de bullying a alavancar a autoconfiança. Inspirada na iniciativa, a jornalista Clarice Gulyas criou o grupo Haus Of Little Monsters Brazil, cujo objetivo é ajudar entidades carentes e LGBTS vítimas do preconceito. “Houve uma época em que alguns adolescentes estavam tentando suicídio e nosso grupo foi muito importante para ajudá-los a superar os traumas e a pensarem diferente”, conta Clarice.

Embora as drag queens – artistas performáticos – não estejam ligadas aos travestis e transexuais, por não ser uma questão de gênero, a dor do preconceito é a mesma. E parte de dentro do próprio meio LGBTS, conforme conta Breno Tavares, intérprete da Xantara Thompson. “O meio gay é extremamente machista. Se você quer parecer mulher, você não serve para um relacionamento”, lamenta.

Saiba mais

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, segundo pesquisa da ONG internacional Transgender Europe (TGEU).

De acordo com a RedeTrans, a discriminação é responsável pela saída de 82% dessa parcela da comunidade LGBTS das escolas.

Segundo balanço do disque 100, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, o número de denúncias de violação de direitos da comunidade LGBTS teve aumento de 94% em 2015.

Desde 2014, travestis e transexuais podem usar o nome social em provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mediante solicitação.

A Casa Militar do DF passou a permitir o uso do nome social para servidores travestis e transexuais. Desrespeito ao direito do uso do nome social dentro das secretarias pode ser denunciado na ouvidoria do GDF pelos número 162 e 156.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado