RAFAELLA PANCERI
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Quatro delegados do Distrito Federal estão cotados para suceder Eric Seba no cargo de diretor-geral da Polícia Civil: Robson Cândido, Victor Dan, Sérgio Bautzer e Laercio Rossetto. Após a eleição de Ibaneis Rocha (MDB) ao Governo do DF, tanto delegados quanto agentes — estes, pela primeira vez — se mobilizam para indicar, cada categoria, uma lista de três delegados para que Ibaneis delibere. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o governador eleito afirmou que analisará apenas três nomes. O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-DF) e do Sindicato dos Delegados (Sindepo-DF) já organizam assembleias para finalizar as votações internas até amanhã.
Robson Cândido é considerado nos bastidores como favorito para assumir o posto de diretor-geral da PCDF no próximo ano. De acordo com o delegado, que está à frente da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), uma futura gestão será baseada no diálogo entre as categorias, na pacificação da Polícia Civil e no respeito à autonomia dos delegados. “Vamos construir um diálogo permanente entre a direção-geral, as entidades de classe, o governo local e federal, buscando o fortalecimento da instituição e, consequentemente, a excelência na prestação dos serviços de polícia judiciária, visando sempre ao bem do cidadão e da comunidade”, afirma.
Com 46 anos de idade e 28 anos de profissão, ele é natural de Pires do Rio (GO) e trabalhou como agente naquele estado por oito anos. Em Brasília, são quase 20 anos de atividade como delegado. Sempre ocupou funções dentro dos quadros da PCDF e afirma que conhece, compartilha e vai dispensar “todos os esforços para concretizar os anseios dos servidores”. Ele se orgulha da trajetória pelas 13 DPs por onde passou.
O amplo conhecimento sobre o universo da polícia guia as propostas do delegado para a direção-geral. A principal é a implementação da paridade com a Polícia Federal. Outra prioridade é reabertura das delegacias circunscricionais, com a implementação do serviço voluntário e temporário remunerado. Pretende, ainda, manter interlocução com os poderes constituídos. As instituições, segundo ele, devem estar envolvidas em estudos que viabilizem a criação de Núcleos de Investigação para maior eficiência e integração dos servidores.
Renovação da Polícia Civil
Na corporação há 12 anos, o atual delegado de plantão da 27ª DP (Recanto das Emas), Sérgio Bautzer, foi homenageado pelo então governador do DF em 2008 como professor destaque do Curso de Formação da Academia de Polícia Civil e, em 2017, conquistou a marca de mil autos de prisão em flagrante lavrados — um dos principais feitos da carreira. Aos 41 anos, ele se considera jovem para o cargo e vislumbra uma gestão baseada na participação de todos. Ele pontua que “mais escuta do que propõe” e acredita que a candidatura servirá de estímulo para que mais delegados se candidatem.
Além de viabilizar a paridade salarial com a Polícia Federal, o delegado quer priorizar redução de inquéritos judiciais, criar creche e escola para filhos de policiais, transporte entre o metrô e as delegacias, viabilizar a gestão de plano de saúde para a categoria, remodelar os plantões policiais, zerar suicídios entre os pares e estruturar a ocupação proporcional de cargos entre homens e mulheres. “O momento é de união. Os delegados devem dar exemplo para a sociedade e pregar um discurso uníssono de renovação da polícia.”

Sérgio Bautzer é o atual delegado de plantão da 27ª DP (Recanto das Emas). Foto: João Stangherlin/Jornal de Brasília.
Concurso na pauta
Laercio Rossetto dedicou mais da metade da vida à PCDF. Ingressou nos quadros em 1991, aos 27 anos, e em 1999 assumiu o cargo de delegado. Desde então, passou por três DPs e comanda atualmente a 2ª DP, na Asa Norte. Ele destaca a trajetória pessoal na instituição como diferencial na disputa pelo cargo.
Entre as propostas para uma eventual gestão, defende a paridade dos subsídios com a Polícia Federal e pretende equacionar o efetivo atual da PCDF de acordo com os critérios de maior carência, necessidade e índices de criminalidade. Além disso, propõe abrir 2 mil vagas para o cargo de agente de polícia e realizar concurso de remoção em todas as esferas das carreiras, concomitante com a análise do banco de talentos. Almeja, ainda, pleitear assistência médico-hospitalar para policiais e familiares, concluir a licitação de aquisição de armas de fogo e renovar a frota das viaturas da PCDF em, no mínimo, 70%.

Laercio Rossetto chefia a 2ª Delegacia de Polícia. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília
Policial há 26 anos, o delegado-chefe da 23ª DP (Ceilândia), Victor Dan é outro postulante. Começou como delegado de plantão. Passou pelo posto de delegado cartorário, no qual atuou por dez anos, e assumiu a chefia da delegacia do Núcleo Bandeirante. Hoje, está em Ceilândia.
Entre as principais propostas para uma possível gestão estão a valorização das carreiras policiais, tanto no sentido financeiro quanto no funcional, com planos de saúde e auxílio fardamento, trabalho voluntário e produtividade remunerada. O delegado é a favor da abertura de novos concursos, do retorno dos policiais aposentados e do fortalecimento do serviço de inteligência nas circunscricionais, além da paridade dos subsídios com os integrantes da Polícia Federal.

Delegado Victor Dan. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília
Confira
Até o momento, 10 delegados se colocaram à disposição para concorrer ao cargo:
Robson Cândido (11ª DP/Núcleo Bandeirante)
Sérgio Bautzer (27ª DP/Recanto das Emas)
Laércio Rossetto (2ª DP/Asa Norte)
Victor Dan (23ª DP/Ceilândia)
Maurílio Rocha (6ª DP/Paranoá)
Gilberto Maranhão (SSP)
Fernando Cocito (12ª DP/Taguatinga)
Anderson Espíndola (SSP)
Benito Tiezzi (Sindepo)
Moisés Martins (1ª DP/Asa Sul)