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Cidades

CILs têm disputa acirrada pelo ingresso, mas só 17% terminam

Jéssica Antunes
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Seis mil pessoas entram, todo semestre, nos Centros Interescolares de Línguas (CILs) do Distrito Federal. Cerca de 80% são estudantes da rede pública, que têm preferência, mas os candidatos às vagas remanescentes saberão hoje se poderão iniciar o estudo gratuito de idiomas. O problema é concluir. O número de estudantes que se formam nos níveis mais avançados é reduzido.

Aproximadamente 40% dos matriculados está em nível básico, e a porcentagem diminui conforme a evolução. No intermediário, são pouco mais de 26%. Somente 17% dos 45 mil estudantes estão na etapa avançada dos cinco idiomas ofertados pela rede: inglês, espanhol, francês, alemão e japonês.

Apesar disso, o governo nega que isso signifique um afunilamento ou alto índice de evasão. De acordo com Fábio Pereira, subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação, a evasão escolar nos centros de línguas é “ínfima”. Ao JBr., pasta admitiu não ter controle deste número, mas Pereira fala em menos de 3%.

“Isso é considerado aceitável e tem referência aos que reprovaram por mais de dois semestres seguidos e ou tiveram mais de 25% de faltas e foram jubilados”, explica.

Segundo o professor, isso inclui estudantes que perdem o interesse ou não conseguem coincidir horários. “A maioria faz o básico e não dá sequência. A ideia é que concluam todo o processo, mas muitos mudam de curso pela possibilidade de dupla opção de língua. Às vezes o aluno sai de um idioma e passa para outro após o básico”.

Pereira garante que não restam alunos sem turmas. “Pelo contrário, há briga insana por novas classes. A cada ano isso flutua porque depende do nível de entrada dos estudantes”, alega. No último ano, 8 mil foram considerados formados – mas não significa que concluíram todos os níveis ofertados.

Fim da linha

O estudante Jeferson Ferreira da Silva, 18, ainda estava no Ensino Fundamental quando entrou no CIL de Ceilândia para fazer inglês. Depois de seis anos, ele terminou o nível avançado. “Foi diminuindo o número de alunos. Eles perderam o interesse e saíram”, conta. Para ele, o esquema de ensino é cansativo, o que explicaria o abandono.

Jeferson tentou fazer japonês no último semestre, mas desta vez foi um dos desistentes. “Eu conciliava com trabalho, estudo e inglês. Ficou pesado”, explica. Ele perdeu a vaga por não conseguir trancá-la.

Quem quer não pode continuar

Quando abriram vagas à comunidade, a autônoma Laís Ferreira Franco, 28 anos, conseguiu uma cadeira para estudar francês. “No meio do curso, tem a opção de fazer dupla opção de língua. Como eu tinha conhecimento em inglês, fiz nivelamento e fui direto para o avançado. O problema foi fazer a continuação, porque nunca forma turma e a direção diz não ser obrigatório”, conta.

Laís critica a falta de transparência nas composições de turma de aprimoramento. “Eu perdi a vaga de inglês, que não existe mais. Aconteceu a mesma coisa agora com o francês”, reclama. Ela aponta redução no número de estudantes conforme o avanço dos níveis.

De acordo com a Educação, o curso de aprimoramento e aprofundamento que dá sequência ao nível Específico é opcional e depende da disponibilidade de vagas e interesse dos concluintes. Há semestres e idiomas em que não há número mínimo de alunos para que a classe seja aberta. Ao Específico são incluídos alunos que terminaram ou cursam o Ensino Médio.

Comunidade

Apesar das críticas, o governo comemora o crescimento de unidades e de matrículas. Desde o início da gestão de Rollemberg, oito centros foram inaugurados, com um acréscimo de cerca de 10,5 mil vagas. A prioridade é para alunos da rede pública, mas o atendimento a comunidade em geral é assegurado por lei.

A população tem direito às vagas remanescentes e tiveram até ontem para se candidatar ao sorteio eletrônicos de 2.343 delas. Os resultados devem ser divulgados às 18h de hoje.

De acordo com subsecretário Fábio Pereira, isso proporcionou uma melhoria pedagógica e no rendimento, uma vez que apenas os interessados se matriculam e comparecem. “Preenche horários que, antigamente, eram ociosos”, diz. A demanda da comunidade é crescente e passou de 12 mil candidatos no primeiro ano para mais de 21 mil inscritos até sexta-feira.

Saiba mais

As turmas são formadas de acordo com a demanda e necessidade do centro de línguas. São três turmas por dia por idioma. Caso o aluno não se encaixe nos horários disponíveis de aulas para seu nível, a orientação é solicitar transferência para outra unidade.

O DF tem 16 CILs, localizados na Asa Norte, Asa Sul, Brazlândia, Ceilândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Paranoá, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Sobradinho e Taguatinga.

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