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Brasiliense não vê chuva há 100 dias

Inmet alerta para temperaturas críticas até sábado, com máxima de 34ºC e umidade por volta de 12%

Publicado

em

Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Completam-se hoje cem dias sem chuva no Distrito Federal. A capital federal enfrenta mais uma temporada de calor abrasador e sofre com o clima seco. A previsão é que os tempos quentes devem permanecer em Brasília por pelo menos mais 10 dias, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A mínima está prevista em 18ºC e a máxima em 31ºC, a umidade relativa do ar varia de 15% a 60%. Estamos em estado de alerta.

De acordo com o Inmet, o calor nos últimos dias é justificado também pela falta de nuvens nos céus da capital federal. A previsão é de que, até sábado, as temperaturas permaneçam críticas, com umidade variante na média dos 12% e temperaturas de 33ºC a 34ºC.

Há exatamente uma semana, na última quarta-feira (4), o DF registrou um recorde nos números meteorológicos: os 8% de umidade relativa do ar marcou o dia mais seco do século. Na mesma data também tivemos o dia mais quente deste ano.

Umidificador e água

A servidora pública Luzenir Campos, de 41 anos, costuma utilizar o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek para caminhar e ter um momento de lazer na semana. Para se proteger dos raios solares, carrega no ombro um guarda-sol e ela, que veio do Tocantins, habituar-se com o clima seco de Brasília foi um desafio, mas não houve outra opção.

“É bem típico daqui, mas a gente tem que se acostumar, né? Pra me proteger eu uso um umidificador no trabalho, em casa, sempre carrego um soro fisiológico de jato para o nariz na minha bolsa e deixo um também na mochila do meu filho. Uso igual água”, afirmou a servidora, que afirma manter a hidratação em dia.

Mesmo com tantas medidas cautelares, a saúde, no entanto, fica a desejar. Há cinco anos convive com um problema nasal e crê que foi gerado com o passar do tempo na cidade seca. “A rinite fica bastante atacada nessa época, mas a gente contorna com esses cuidados. Tenho certeza que foi gerada pela poeira e fuligem dos carros aqui da cidade”, lamenta.

Francisca Freitas Alcântara, 34 anos, é dona de casa e voltou a correr recentemente no Parque. “Eu costumava correr no tempo de maior umidade, e tinha dia que eu nem trazia garrafinha de água; aqui tem alguns bebedouros. Mas está tão seco que mantenho ela na minha mão, porque é impossível ficar muito tempo sem tomar água, se não eu acabo passando mal”, diz.

Corpo sente

Por conta do clima árido, o corpo começa a dar sinais de resistência ao contexto. “Minha cabeça dói muito, sinto minha pele muito seca, mesmo passando bastante hidratante […]. Tomo cuidados maiores que os que tomava na época da chuva”, afirma. “Esse período força a gente a se hidratar mais do que em outros e em todos os sentidos. Costumo redobrar a atenção com minha filha também.”

Francisco Canindé de Oliveira, de 56 anos, é motorista de aplicativo e adaptou sua rotina por conta da seca extrema no DF. De acordo com ele, os dias de serviço foram divididos em dois turnos: pela manhã e pela tarde, para preservar a saúde. “Nem o ar condicionado dá conta desse calor. Prefiro parar de rodar lá pelas 11h e ir para casa, tomar um banho e descansar, ao invés de rodar nesse clima”, afirma o homem.

“Desde quando comecei, há dois anos e meio, nunca precisei fazer isso não, estou fazendo esse mês porque realmente está muito quente”, reafirma o potiguar, que mora em Brasília desde 1979.

A única banca de revistas do Parque da Cidade, Banca do Parque, em frente ao estacionamento 10, faz o convite: “Aqui! Coco Gelado”. Sob o sol quente, João Carlos Caetano, 64 anos, gerente do estabelecimento, se vê satisfeito com a seca. Ao contrário do que outros pensam no clima quente, os próximos dez dias de calor não são mau negócio para o comerciante.

“As vendas nesses tempos de seca costumam aumentar de 30% a 60% os nossos lucros aqui na banca. Ao dia vendemos umas 150 unidades de coco, enquanto em dias não tão quentes vendemos uns 90. E ainda vendemos mais pelo preço mais barato que o da concorrência”, afirma.

O coco vende tão bem que, mesmo em dias em que revistas não são vendidas, o carro chefe da empresa segura as finanças. “É bom porque sempre pedem uma água de coco para se hidratar depois das corridas que fazem aqui no Parque”, comemora João.


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