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Após surto na Papuda, doença de pele atinge presídio feminino do DF

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Após cerca de 2,6 mil detentos contraírem infecções de pele em menos de um mês, uma detenta da Penitenciária Feminina contraiu impetigo, uma doença provocada por bactérias. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública nesta sexta-feira (4). De acordo com a pasta, a mulher foi isolada e está em tratamento com antibióticos.

Atualmente, 2.601 detentos estão contaminados com doenças como escabiose, impetigo, tínea e furunculose – 17% do total de internos. Um agente de custódia da Polícia Civil também contraiu a enfermidade.

O servidor infectado foi afastado de 24 a 31 de julho para tratamento com antibióticos. Segundo o presidente da Associação dos Agentes Policiais de Custódia da PCDF, Carlos Lima, o quadro clínico já apresentou melhoras. “Dificilmente ele pegaria essa doença em outro ambiente”, afirma Lima. Para ele, nunca houve nada parecido.

A doença de pele está presente em cinco das seis unidades do Complexo da Papuda: Penitenciárias do DF I e II, Centro de Internamento e Reeducação (CIR), Centro de Detenção Provisória (CDP), Centro de Progressão Penitenciária (CPP) e, agora, na Penitenciária Feminina (PFDF).

Divulgação

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Ponto de vista

A dermatologista integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Thuany Santos, revelou que o impetigo, apesar de ser uma infecção de pele superficial, pode evoluir para uma doença renal grave caso não seja tratado. “O contaminado corre até risco de morte por causa disso”, revelou.

Para o o infectologista Gilberto Santos Nogueira, uma das principais causas das doenças é o aglomerado de pessoas em ambientes úmidos. “O contágio se dá pelo contato direto, de pessoa para pessoa”, explica o médico.

Relatório

Segundo o coordenador-geral do Sistema Prisional, Celso Vagner, a situação está controlada na PDF-I e no CIR. “No CDP, o atendimento está mais lento, mas já tem equipe fazendo as triagens”, afirma.

No entanto, um relatório do Conselho de Direitos Humanos aponta detentos que estão esperando de três a cinco meses por atendimento. “Das celas visitadas, algumas com 40 internos, em um local que deveria acolher somente 12, apresentam 35 internos com aparente infecção”, conta o presidente do conselho, Michel Platini.

O relatório mostrou que os detentos não estão recebendo insumos de higiene, como escovas de dente, creme dental, sabonete e barbeador. “Eles compartilham até mesmo a pomada. A gente sempre viu, em nossas visitas, detentos com doença de pele. Mas é a primeira vez nessa quantidade”, acrescenta Platini.

Medidas

Representantes do Conselho Distrital de Promoção e Defesa de Direitos Humanos, Subsecretaria do Sistema Penitenciário, Secretaria de Saúde e Ministério da Saúde, além da deputada federal Érika Kokay, se reuniram para debater providências.

Como possíveis soluções, os presentes elencaram quatro medidas: os médicos intensificarão os atendimentos nos pátios; as famílias serão orientadas e poderão levar sabonetes de enxofre aos detentos; e o Ministério da Saúde, SSP e Secretaria de Saúde estão elaborando ações a curto, médio e longo prazo.


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