A repercussão do motim e o vazamento da carta de pedido de intervenção no MDB nacional no diretório do Distrito Federal, nesta sexta-feira (5), causou um efeito dominó no partido. Enquanto distritais, que mais cedo levaram suas insatisfações – ainda que no anonimato – a público, preferiram não se manifestar, após a divulgação do motim, o presidente regional da sigla Wellington Luiz se disse tranquilo e aguardará a decisão do presidente Baleia Rossi para tomar as medidas “que a lei o permite”.
Momentaneamente isolado pelos companheiros de partido, o presidente regional da sigla, Wellington Luiz, passou a tarde em conversas com membros da cúpula do MDB nacional e se disse tranquilo.
Após a reportagem do Jornal de Brasília contando os bastidores de um motim dentro do MDB-DF e da confecção de uma carta – que mais tarde foi divulgada pelo site Rádio Corredor -, a situação da legenda, especialmente na Câmara Legislativa, azedou. Além do deputado federal Rafael Prudente, que capitaneia o pedido para que o partido dê aos parlamentares autonomia para decidirem com quem compor a chapa, também assinaram o documento os distritais Hermeto, Daniel Donizet, Jaqueline Silva e Iolando Almeida.
A surpresa se deu com o tamanho do isolamento do presidente Wellington Luiz, que também é presidente da Câmara Legislativa e precisa tratar diariamente com os colegas. Entretanto, o chefe do Legislativo local afirmou estar tranquilo e aguardando o posicionamento do diretório nacional.
“Conversamos com vários membros do MDB nacional, mas ainda não falei com o presidente [Baleia Rossi]”, contou Wellington Luiz, que completou, sobre possíveis punições para os amotinados. “Vou esperar a decisão do MDB Nacional. Dependendo do resultado farei o que a lei me permite.”
Buriti e Senado
Segundo os próprios emedebistas, a crise é dividida em dois pontos. No primeiro está o ex-governador Ibaneis Rocha que, insatisfeito com a postura de sua sucessora, a governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP), em não “obedecê-lo” e não declarar que ele será o candidato em sua chapa ao Senado Federal, queria o controle do partido no DF para ter maior poder de barganha contra a leoa.
O pedido explícito para a tomada do controle MDB-DF foi feito há duas semanas, na presença do presidente nacional da sigla, Baleia Rossi. Segundo fontes, o argumento de Ibaneis era o de que ele estaria “protegendo” Wellington Luiz, que respondeu que “sabia se cuidar”.
O segundo ponto é o desejo de Rafael Prudente de se candidatar ao governo do Distrito Federal este ano. Prudente entende que o momento é favorável a ele. Segundo uma fonte, no mesmo dia em que houve a reunião com Baleia Rossi, em que o partido disse que teria candidatura de destaque na majoritária, o deputado federal deu novas instruções aos seus coordenadores de pré-campanha: divulgar que ele seria candidato ao governo.
Não demorou muito e Wellington Luiz, aliado de anos de Celina Leão, voltou a colocar panos quentes nas relações entre a governadora e o seu antecessor, garantindo que Ibaneis seria o candidato a senador na chapa com ela. A atitude enfraqueceu Prudente, que voltou sua carga contra o colega em busca de tirá-lo do comando e assim inviabilizar uma aliança com a chefe do Executivo distrital.
Nós procuramos a assessoria do deputado Rafael Prudente, mas ainda não tivemos retorno do parlamentar.