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Brasília

Em vitória de Prudente, MDB nomeia comissão especial para decisões do partido no DF

Wellington Luiz é mantido na presidência, mas controle vai para comissão especial

Suzano Almeida

11/06/2026 19h24

Rafael Prudente - Foto: Djalma Cordeiro

Rafael Prudente – Foto: Djalma Cordeiro

Em uma reunião de emergência realizada no início da noite desta quinta-feira (11), a cúpula nacional do MDB interveio na crise do diretório do Distrito Federal. A Executiva Nacional decidiu manter o deputado distrital Wellington Luiz na presidência regional da legenda, abortando um “movimento” liderado pelo ex-governador Ibaneis Rocha e pelo deputado federal Rafael Prudente.

wellington luiz
Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF

Apesar de segurar Wellington no cargo para evitar a narrativa de “traição” às vésperas das eleições de outubro, a cúpula nacional esvaziou parte de seus poderes. A responsabilidade pelas discussões sobre alianças partidárias e coligações foi avocada pela Executiva Nacional e será gerida por uma comissão especial.

A informação foi confirmada por Rafael Prudente. “Partido nacional vai avocar a responsabilidade das discussões sobre alianças partidárias para uma comissão especial.”

“A decisão de hoje busca assegurar independência e autonomia ao partido. É uma sinalização, de que o MDB é um partido forte e unido, que não aceita ser subjugado e conduzido à revelia. É uma atitude de resguardo da nossa autonomia, da nossa independência. E uma demonstração de que o partido está unido e forte. No MDB, a decisão não será de um só, nem de ninguém fora dos nossos quadros”, declarou o federal.

O grupo, segundo integrantes da reunião, será coordenado pelo deputado Rafael Prudente, por ser do Distrito Federal.

O novo colegiado que definirá os rumos eleitorais da legenda será composto por três deputados federais da Executiva Nacional; o deputado federal Rafael Prudente; e o atual presidente regional, Wellington Luiz.

A mediação direta do conflito e o acompanhamento dessa comissão ficaram sob o comando do líder do MDB no Congresso Nacional, Isnaldo Bulhões, designado pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi.

O estopim da crise e o dia de reviravoltas

O racha interno veio a público após parlamentares emedebistas assinarem uma carta exigindo mais autonomia nas articulações eleitorais. Wellington Luiz, que é amigo pessoal da governadora Celina Leão (PP), vinha tentando amortecer os atritos entre o MDB e o Palácio do Buriti. Diante da pressão de Prudente, Wellington chegou a ameaçar renúncia, disparando publicamente que não aceitaria ser um “presidente figurativo”.

Ao longo desta quinta-feira, o cenário mudou drasticamente. Nos bastidores, fontes revelam que o clima azedou inclusive entre os líderes da rebelião. Ibaneis Rocha e Rafael Prudente se desentenderam devido a declarações públicas do ex-governador. Enquanto Ibaneis pressionava para assumir o comando partidário, Prudente defendia uma saída pacífica e negociada.

Mais cedo, ao Jornal de Brasília, Ibaneis declarou que achava “natural” assumir a presidência caso Wellington saísse: “Não tenho essa informação [de que ele sairia]. Mas nada seria mais normal. Só não estou trabalhando para isso”, minimizou o ex-governador. A declaração, contudo, foi mal recebida pela Executiva Nacional, que barrou o plano.

Celina Leão

A rebelião do MDB expõe uma ferida aberta na base governista do DF. Tanto Ibaneis quanto Prudente acumulam fortes queixas contra a governadora Celina Leão — ex-vice de Ibaneis que assumiu o comando do Executivo local após a renúncia do titular.

Interlocutores apontam que Ibaneis está profundamente incomodado com a postura de Celina. A governadora tem feito críticas públicas ao legado da gestão passada, subiu o tom ao comentar a crise no Banco de Brasília (BRB) e avisou que não será submissa ao antecessor. Além disso, Ibaneis esperava o apoio de Celina à sua candidatura ao Senado, mas a governadora optou por anunciar aliança com as pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (ambas do PL).

O fator Rafael Prudente

De olho em uma candidatura ao Palácio do Buriti, Prudente articulou o movimento após receber sinal verde de Baleia Rossi. Há duas semanas, o presidente nacional do MDB garantiu que o partido exigiria protagonismo na chapa de Celina ou lançaria candidatura própria. Como a resposta da governadora não foi a esperada, o grupo partiu para o confronto.

O movimento já trouxe ônus para Rafael Prudente. Como resposta à insurreição, o GDF iniciou a exoneração de aliados do deputado indicados na Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB) e há ameaças reais de perda de espaço na Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Desgaste com investigações

A resistência dos caciques nacionais do MDB em entregar a legenda a Ibaneis Rocha também passa pelo campo jurídico. Segundo fontes ligadas ao diretório nacional, existe um forte receio de desgaste político em plena janela eleitoral.

A cúpula teme os desdobramentos das investigações que envolvem o Banco Master e uma eventual delação premiada do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O temor da Executiva Nacional é que o nome do ex-governador seja envolvido no caso, gerando um prejuízo de imagem considerado “irreparável” para a campanha do partido.

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