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Brasília

Vítimas pagam antecipado por reformas e pedreiro some

Arquivo Geral

02/04/2018 7h00

Atualizada 01/04/2018 21h12

Foto: Angelo Miguel/Cedoc

Rafaella Panceri
redacao@grupojbr.com

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga sete ocorrências policiais registradas em delegacias de Brasília contra um provável estelionatário atuante no ramo da construção civil. Identificado como Paulo César Lautert, o homem, conhecido como “gaúcho”, oferece serviços de pedreiro, pede pagamento adiantado e some sem prestar os serviços prometidos — inclusive em contratos formais —, de acordo com pelo menos sete vítimas.

Quem sofreu o golpe e denunciou os crimes à polícia aguarda a devolução de quantias em dinheiro. Advogado especialista em direito imobiliário alerta, porém, que em situações como essa a chance de recuperar os valores é baixa. O homem não foi encontrado pela polícia, mas “não é considerado foragido, já que os crimes estão em processo de investigação” — informou a PCDF, em nota.

Segundo a Polícia Civil, as ocorrências envolvendo Paulo César Lautert têm a mesma natureza: ameaça e estelionato. Há indícios de que ele tenha praticado crimes no Cruzeiro Velho, no Guará II, no Núcleo Bandeirante, em Taguatinga Norte, em Vicente Pires e em Ceilândia, incluindo o Setor P Norte.

Ameaça

A ocorrência policial mais recente contra o pedreiro foi registrada na 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) no último dia 23 de março. A vítima reclama o valor de R$ 1.700, transferido via depósito bancário, e relata ter sido ameaçada pelo suspeito.

No boletim de ocorrência cedido pela PCDF, a vítima relata que o pedreiro havia combinado o início da obra para o dia 26 de fevereiro. “Mesma data em que ficou de assinar o contrato e dar a relação dos materiais a serem comprados pelo comunicante. Após a transferência do valor da entrada, o autor passou a não mais atender as ligações do comunicante”, diz o documento.
Ainda no texto do boletim de ocorrência, a vítima conta que “o autor teria enviado mensagens de voz ameaçadoras para o celular do comunicante, dizendo que iria acabar com a vida dele”.

Desconto à vista

O servidor público Gaspar Rodrigues da Rocha, 46, moveu uma ação por descumprimento de cláusula contratual contra o pedreiro Paulo César Lautert no 2º Juizado Especial Cível de Águas Claras. A instalação de calhas na residência do servidor não foi feita e ele teve prejuízo de R$ 2.300.

“Eu o observei fazendo um serviço na casa do meu vizinho. Aparentemente, estava cumprindo com o combinado. Por isso, eu o contratei para colocar algumas calhas na minha casa”, conta.
O valor do serviço chegaria a R$ 2,8 mil, mas o pedreiro ofereceu um desconto considerável caso o pagamento fosse feito à vista. “Na inocência, paguei R$ 2,3 mil via depósito bancário”, lamenta.

Pretextos para não fazer serviço

A vítima do golpe relata que, depois de fazer o depósito na conta do pedreiro, ele começou a inventar pretextos para não fazer o serviço. “Disse que viria no dia seguinte, depois disse que estava doente, que mandaria um funcionário para instalar as calhas. Isso nunca aconteceu”. Após mover ação judicial contra o homem, houve audiência. “Ele não foi. Não se trata do descumprimento de um contrato. Ele age como estelionatário e continua agindo. Isso é o pior”, acusa.

Em sua página no Facebook, o suspeito registrou o início das atividades como construtor em 2016. Na rede social, ele compartilha fotos com os amigos e mensagens motivacionais. “Seja humilde para admitir seus erros, inteligente para aprender com eles e maduro para corrigi-los”, diz uma delas.

Especialista em direito imobiliário, o advogado Iure Oliveira considera difícil encontrar quem pratica esse tipo de golpe. “É comum que sumam. O cliente que move uma ação judicial ganha, mas não leva. O grau de efetividade da execução é baixo porque essas pessoas não têm bens registrados no próprio nome e geralmente a conta bancária é zerada”, explica. “Quem foi lesado deve registrar ocorrência e notificar a pessoa para mover a ação, em seguida”, descreve.

Dicas para não cair no golpe

– Verifique se a pessoa já prestou aquele serviço, por meio de provas materiais.
– Elabore um contrato formal, com detalhes sobre o trabalho e eventuais penalidades.
– Em caso de valores altos, efetue o pagamento por etapas
– Evite pagamento em espécie.
– Dê preferência para empresas ou pessoas com CNPJ.

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