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Brasília

Vítimas de sequestro relâmpago vivem momentos de terror

Arquivo Geral

10/02/2012 7h00

 

Gabriela Coelho
gabriela.coelho@jornaldebrasilia.com.br

“Foram momentos de pânico e terror. Ter uma arma voltada para o rosto é uma sensação que eu não desejo a ninguém. Você começa a pensar milhares de coisas e se desespera. Pensei que nunca mais fosse ver meus filhos e minha família”. O relato de H.S.O., 34 anos, é um exemplo do sentimento de muitas vítimas de sequestro relâmpago, um crime que cresce e assusta os moradores do Distrito Federal. A média este ano tem sido de dois casos por dia.

 

Ela chegava em casa por volta das 23h quando foi abordada por dois homens. “Eles me mandaram ficar quieta, sem falar nada, senão me matariam. Andaram comigo por cerca de uma hora e me deixaram em um matagal perto de Valparaíso (GO). Demorei muito tempo para achar um telefone e estava muito escuro. Até hoje tenho medo ao sair de carro”, diz. 

 

A violência, como a sofrida por H.S.O.,  avança de forma rápida, e os criminosos utilizam estratégias cada vez mais criativas. Para complicar, a falta de cuidado da população muitas vezes facilita a ação dos sequestradores.
De acordo com o psicólogo Rafael Boechat, o sequestro relâmpago é uma violência inesperada e causa desorientação. “No momento em que a pessoa é abordada, causa o que chamamos de estresse agudo. É quando a pessoa fica sem rumo, desorientada e sem saber o que, de fato, está acontecendo naquele momento”, explica.

 

O psicólogo diz  ainda que, após o momento de tensão, vem o lapso de memória. ”A pessoa que foi vítima de algum crime não se lembra de nada do que aconteceu. Ela desenvolve uma espécie de mecanismo de defesa e não se lembra do momento, com o intuito de se resguardar de mais sofrimentos”, diz.

 

Boechat afirma também que o sequestro provoca um alto índice de estresse na vítima. ”Ninguém é o mesmo depois de um sequestro relâmpago. Uns vão desenvolver menos ou mais estresse pós-traumático, mas algo muda. A pessoa vai ver a vida de uma outra forma”, diz. Segundo ele, os sintomas de uma pessoa traumatizada são insônia, depressão, perda de apetite, medo agudo, hiper vigilância, abandono de emprego, distanciamento das pessoas e mudança no modo de vida.

 

 

 

  Leia mais na edição impressa desta sexta-feira (10) do Jornal de Brasília.

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